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Desinformação e ameaças nuclear e climática colocam mundo a 2 minutos do fim

24/01/2019 19h10

Javier Romualdo.

Washington, 24 jan (EFE).- Durante 2018, a luta contra a mudança climática diminuiu, as ameaças nucleares se multiplicaram e as 'fake news' consolidaram uma nova arma: a desinformação. Com isso, o "Relógio do Apocalipse", também conhecido como "Relógio do Juízo Final", parou nesta quinta-feira a dois minutos do fim do mundo, como nos piores momentos da Guerra Fria.

O relógio é um símbolo criado por um grupo de cientistas sobre os riscos que o mundo enfrenta e que pretende indicar o quão perto a humanidade está do fim.

O Boletim dos Cientistas Atômicos dos Estados Unidos, responsável por "mover os ponteiros", classificou os temos atuais como "sombrios" e como uma "nova anormalidade".

O alarmante horário já tinha sido registrado no ano passado e foi mantido em 2019 para enviar ao planeta uma mensagem clara: "as coisas não melhoraram".

Somente uma outra vez desde o fim da II Guerra Mundial o relógio marcou a mesma hora que a atual. Foi em 1953, durante um dos períodos mais tensos da Guerra Fria, quando tanto a União Soviética como os Estados Unidos fizeram seus primeiros testes com armas termonucleares.

Hoje, 66 anos depois, a humanidade volta a encarar a ameaça de estar a 120 segundos do próprio desastre, desta vez por "falta de progressos em conter o risco nuclear", agora mais complexo e múltiplo, e devido ao "retrocesso na batalha para deter a mudança climática", alertaram os cientistas.

"Estas duas ameaças principais - a nuclear e a climática - se tornaram mais graves no ano passado por causa da crescente guerra de desinformação que afeta a democracia no mundo todo", afirmou à Agência Efe a presidente do Boletim, Rachel Bronson.

A proliferação das chamadas 'fake news', junto com o armamento nuclear distribuído pelo mundo e uma mudança climática que dá sinais cada vez mais inquietantes geraram um coquetel que "põe o futuro da civilização em um perigo extraordinário", de acordo com ela.

Mas nem tudo está perdido. A situação pode melhorar se os líderes buscarem a mudança e se os cidadãos a exigirem.

"Não há razão para que o relógio não se afaste da catástrofe. Ele saiu no passado, porque os líderes agiram sob pressão de cidadãos informados e comprometidos com todo o mundo", afirmou Bronson.

Agora, no entanto, a informação se transformou em um dos novos pilares que sustentam o risco, porque, em vez de ajudar a esclarecer o mundo, as novas tecnologias e a rapidez com a qual os dados são transmitidos semearam o "desconcerto" entre a população.

O especialista em Política Cibernética e Segurança da Universidade de Stanford, Herb Lin, disse que "é certo que a propaganda é tão antiga quanto os tempos bíblicos, mas hoje em dia o volume e a velocidade da informação cresceram em grande magnitude e estão disponíveis em imensas quantidades e dispositivos".

Segundo Lin, "se o acesso e a produção de informações têm se tornado universais e baratos, também as mensagens prejudiciais se multiplicaram", dando lugar a uma guerra cibernética na internet que abala a habilidade de encarar o mundo de "maneira construtiva".

Já há consequências desta falta de calma e razão, admitiram os especialistas, pois, "pela primeira vez em anos, vários países da União Europeia e os EUA aumentaram as emissões de gases poluentes, depois de um período as reduzindo".

Para a química atmosférica Susan Solomon, este abandono na luta para conter a mudança climática fez de 2018 "um ano alarmante", no qual os geleiras derreteram em uma velocidade maior, a temperatura média do planeta alcançou níveis recorde e a seca espalhou como nunca incêndios como os da Califórnia e do sul do Mediterrâneo.

Para jogar mais lenha na fogueira, embora a "ameaça nuclear" possa lembrar tempos já superados, os cientistas afirmaram que a segurança internacional está no mesmo nível dos "piores momentos da Guerra Fria", quando parecia que o mundo explodiria a qualquer momento.

É o que os cientistas responsáveis pelo Relógio do Apocalipse chamaram "a nova anormalidade", um panorama "em constante mudança, onde conflitos são cozinhados em fogo brando" e no qual se multiplica a possibilidade de surjam confrontos militares que acendam o pavio e provoquem o fim dos tempos. EFE