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"Emergência social" mobiliza milhares de pessoas em marcha em Buenos Aires

30/01/2019 18h05

Buenos Aires, 30 jan (EFE).- Milhares de pessoas pertencentes a diversas organizações de bairros de Buenos Aires marcharam nesta quarta-feira no centro da capital argentina para pedir soluções à "emergência social" e protestar contra o aumento de tarifas de eletricidade, gás e outros serviços.

"Há uma emergência social brutal e energética, onde há tarifas muito altas na eletricidade e no gás, estamos reivindicando um botijão social - botijão de gás -, ou seja, que o Estado subsidie os botijões, que são um elemento muito antigo, mas ainda muito utilizados", declarou à Agência Efe o diretor da organização Povo Operário, Eduardo Goliboni.

A mobilização começou no emblemático Obelisco e percorreu algumas avenidas até chegar à sede dos Ministérios de Transporte e Energia, nos limites da Casa Rosada, sob palavras de ordem e cânticos contra o governo de Mauricio Macri e pedindo melhorias nas áreas mais desfavorecidas da capital e de todo o país.

"É um governo que claramente está assentado em uma classe social, a classe dos que vivem do trabalho alheio, a classe dos especuladores. Não olha para os bairros, não sabe nem onde ficam, por isso os bairros vieram à cidade, viemos trazer as reivindicações e encontramos com um dispositivo repressivo", declarou Goliboni.

Além das exigências com relação à energia, os moradores dos bairros solicitaram um "plano de obras públicas e habitação", que o diretor do Povo Operário considera "muito necessário", já que "a cada vez que chove ocorrem inundações".

"As demissões se contam aos milhares na Argentina, estamos voltando aos tempos em que os trabalhadores levavam seus filhos a refeitórios populares e não queremos isso, queremos o trabalho genuíno, queremos que a produção se desenvolva para entrar nos bens que necessitamos para viver", ressaltou Goliboni.

Na passeata estiveram presentes várias organizações que, além de pedir mais oportunidades de trabalho. manifestaram seu descontentamento com os salários, embora como tenha afirmado à Efe uma das representantes dos manifestantes, Ofelia Góngora, não confiam que o governo escute suas reivindicações.

"Não tenho esperança porque tinham que tê-las implementado (as medidas sociais) há tempos e não as implementam. Não percebem a quantidade de pobreza que há dentro dos bairros, onde uma pessoa que recebe 6.000 pesos (cerca de US$ 160) hoje não chega ao fim do mês com quatro crianças", exemplificou. EFE