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Trump acusa ex-advogado de mentir sobre supostos laços com o Wikileaks

27/02/2019 09h26

Hanói, 27 fev (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chamou nesta quarta-feira de mentiroso o testemunho que seu ex-advogado Michael Cohen fará diante do Senado, já que de acordo com trechos antecipados pelo jornal "The New York Times", o letrado afirmará que o líder sabia da relação de sua campanha eleitoral com o Wikileaks e seu fundador, Julian Assange.

"Michael Cohen foi um dos muitos advogados que me representaram (infelizmente) e também tinha outros clientes", escreveu Trump na sua conta do Twitter desde Hanói, onde realiza uma visita para participar de uma cúpula com o líder norte-coreano, Kim Jong-un.

"Está mentindo para reduzir o seu tempo na prisão", afirmou o líder, que lembrou que Cohen acaba de ser "inabilitado" como advogado em Nova York e acrescentou que "fez coisas ruins não relacionadas com Trump".

Cohen, que em maio será detido para cumprir com a condenação de três anos ditada em dezembro por seu papel durante a campanha eleitoral de 2016, testemunhará hoje diante do Comitê de Supervisão e Reforma da Câmara Alta no único comparecimento público dos três que fará nesta semana no Congresso dos EUA.

Segundo o testemunho preparado, divulgado pelo jornal "The New York Times", Cohen chamará Trump de "racista", "vigarista" e "impostor".

O ex-advogado afirmará que Trump soube que seu colaborador Roger Stone, também processado, estava em contato com o Wikileaks para a publicação dos e-mails filtrados do Partido Democrata durante a campanha de 2016.

"Dias antes da convenção democrata, estava no escritório de Trump quando sua secretária anunciou que Roger Stone estava no telefone. Trump pôs Stone no alto-falante. Stone disse a Trump que acabava de falar com Julian Assange", assegurará Cohen.

Nessa conversa, Assange disse a Stone que em alguns dias filtraria e-mails que "prejudicariam a campanha de Hillary Clinton", ao quem Trump teria respondido: "Não seria genial?".

Cohen também deve admitir que no passado mentiu ao Congresso sobre os negócios de Trump na Rússia.

"Em conversas que tivemos durante a campanha, enquanto eu negociava para ele na Rússia, me olhava nos olhos e me dizia 'não há negócios na Rússia 'e depois saía em público e mentia aos americanos dizendo o mesmo. À sua maneira, me estava dizendo que mentisse", afirmará.

O ex-advogado pessoal de Trump o definirá também como uma pessoa "racista" que, em privado, "é muito pior".

"Uma vez me disse se podia dizer o nome de um país dirigido por uma pessoa negra que não fosse um 'buraco de merda'", dirá Cohen, que também revelará que uma vez, em um bairro humilde de Chicago, Trump supostamente disse que "só os negros podiam viver dessa maneira". EFE

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