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Guaidó afirma que "não se pode viver em paz quando massacram um povo"

28/02/2019 16h28

Brasília, 28 fev (EFE).- O líder do parlamento da Venezuela, Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente em exercício do seu país, afirmou nesta quinta-feira que "não se pode viver em paz" quando uma ditadura "massacra um povo", depois de se reunir com o presidente Jair Bolsonaro.

Guaidó, reconhecido como presidente interino da Venezuela por cerca de 50 governos, reiterou junto a Bolsonaro que em seu país "não é verdade que haja um dilema entre guerra e paz, entre uma e outra ideologia", mas a disjuntiva se dá "entre democracia e ditadura, entre miséria e morte".

Em nome do povo venezuelano, o venezuelano agradeceu Bolsonaro pelo apoio que o Brasil deu à "luta" para substituir o governo de Nicolás Maduro e "recuperar a democracia", para que a Venezuela possa voltar "ao caminho do progresso".

Além disso, admitiu que recebeu ameaças, mas mesmo assim garantiu que deve retornar à Venezuela durante o próximo final de semana, ou "no mais tardar na segunda-feira", após uma cumprir uma "agenda internacional" ainda não definida.

Embora tenha reconhecido que até agora a anistia que a Assembleia Nacional ofereceu aos militares que deixem de apoiar Maduro não teve efeito, Guaidó assegurou que no setor militar cresce um mal-estar que só não termina de se expressar devido ao medo e à repressão.

"O regime de Maduro está tão frágil que lhe resta somente as armas. Imaginem esse regime sem armas. Já teríamos dado o passo para eleições livres", frisou.

Precisamente nesta quinta-feira foi confirmado que um grupo de 156 militares venezuelanos desertaram nas últimas horas e se dirigiram à Colômbia, o que aumenta o número total de uniformizados que chegaram ao país para 567 desde o último dia 23 de fevereiro.

Guaidó chegou à Brasília nesta madrugada, procedente de Bogotá, a bordo de um avião da Força Aérea Colombiana, após sair do seu país por terra para a Colômbia na sexta-feira passada.

Seu deslocamento à Colômbia desafiou uma proibição de saída da Venezuela ditada pela Justiça, que justificou essa decisão em uma investigação que se relaciona com sua autoproclamação como presidente interino no último dia 23 de janeiro.

Na Colômbia, Guaidó liderou as mobilizações que no sábado tentaram levar à Venezuela a ajuda humanitária doada por vários países e armazenadas na cidade de Cúcuta, que fracassaram em meio a graves incidentes devido ao fechamento de fronteiras ordenado por Nicolás Maduro.

O mesmo ocorreu na fronteira com o Brasil, onde estão retidas 200 toneladas de alimentos e remédios doadas pelo governo Bolsonaro e pelos Estados Unidos. EFE