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França interrompe teste clínico ilegal com pacientes de Alzheimer e Parkinson

20/09/2019 14h23

Paris, 20 set (EFE).- As autoridades de saúde da França interromperam um teste clínico não autorizado realizado em aproximadamente 350 pacientes, sobretudo doentes com Alzheimer e Parkinson, por um polêmico médico que assegura estar inspirado por Deus e que é conhecido pela sua oposição às vacinas.

A Agência Nacional de Segurança do Medicamento e dos Produtos de Saúde (ANSM) da França alertou sobre os possíveis "riscos à saúde" entre os pacientes que se submeteram a este tratamento com base em remendos de pele nas quais os médicos incluíam uma molécula "cuja qualidade, efeitos e tolerância não são conhecidos".

O teste clínico foi liderado por Jean-Bernard Fourtillan, um controverso médico que, em seu site, assegura que seu conhecimento lhe foi "revelado" como "homem de fé que ama e escuta Deus".

A ANSM pediu que ele parasse os testes e alertasse todos os pacientes, ao mesmo tempo que levou o caso à Justiça por essas "práticas ilegais", disse em comunicado.

Além disso, também foi recomendado aos pacientes que visitem seus respectivos médicos e façam um check-up completo para determinar possíveis efeitos secundários.

Fourtillan aplicou aos candidatos, pacientes com Alzheimer, Parkinson e outras patologias neurológicas, remendos de peles a base de um derivado da melatonina.

Os responsáveis procederam à coleta de sangue dos pacientes em uma abadia perto de Poitiers, ao sul de Paris, de onde eram enviados para um laboratório, que foi alvo de uma inspeção da ANSM, onde foi descoberto o teste.

De acordo com a emissora de TV "BFM", alguns dos pacientes estavam internados nessa abadia, enquanto outros passavam a noite do local, antes da coleta do sangue, na manhã seguinte.

A ministra da Saúde, Agnès Buzyn, classificou de "escândalo absoluto" o "teste selvagem" desenvolvido "fora de toda ética" e em condições "inadmissíveis".

Em declarações à "BFM", ela indicou que os autores desta prática ocultaram os pacientes dos médicos e denunciavam aqueles que se aproveitavam da fragilidade dos pacientes graves para propor "tratamentos milagrosos".

Agnès Buzyn não forneceu mais detalhes sobre "a investigação em curso" e disse que a prioridade do seu departamento passa agora por cuidar dos pacientes afetados. EFE

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