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Chile se militariza para controlar distúrbios que já somam 3 mortes

20/10/2019 07h48

Santiago (Chile), 20 out (EFE).- O governo do Chile continua a apostar nas Forças Armadas para restaurar a ordem no país, após os violentos atos de vandalismo que se multiplicaram ao longo do sábado por diversos pontos do território e já causaram três mortes.

A militarização do país aumentou para tentar controlar os distúrbios causados desde a sexta-feira passada como consequência dos protestos da população contra a alta do preço da passagem de metrô, o estopim da saturação da sociedade com o encarecimento do custo de vida e a desigualdade do país.

As forças de segurança foram surpreendidas pela quantidade de atos de vandalismo em pontos muito diversos de Santiago, como incêndios em estações de metrô, barricadas e saques em lojas, supermercados, bancos e hotéis.

Tudo isso motivou a declaração do estado de emergência no sábado, para confiar ao Exército o controle da situação na capital, medida que nesta madrugada foi ampliada para as regiões de Valparaíso (centro), Concepción (sul), as cidades de Coquimbo e La Serena, na região de Coquimbo (norte), e a cidade de Rancagua, em O'Higgins (centro).

Ao longo da madrugada foram mobilizados mais 1.500 militares em Santiago, chegando a um total de 9.441, com o objetivo de controlar pontos estratégicos como o fornecimento de água, luz e cada uma das 136 estações de metrô, os alvos mais desejados dos radicais.

Além disso, as autoridades militares decretaram o toque de recolher em Santiago, Valparaíso e Concepción até as 7h (horário de Brasília), mas a medida não impediu a realização de saques em mercados e shoppings, embora em menor medida.

Depois de apagarem as chamas de um dos supermercados saqueados, as autoridades encontraram dois corpos carbonizados e outra pessoa em estado grave que foi transferida a um hospital e morreu. Essas são as primeiras vítimas desses distúrbios.

A VIOLÊNCIA SE EXPANDE PELO PAÍS.

Os atos de violência se descontrolaram no sábado e foram replicados em várias regiões do país, especialmente nas quatro onde o estado de emergência vale pelos próximos 15 dias.

Pareciam intermináveis as chamas em supermercados, veículos, ônibus e até mesmo igrejas. A situação não se acalmou nem após o presidente do país, Sebastián Piñera, anunciar que paralisará o aumento nas passagens do metrô.

Embora não tenha cessado totalmente, a violência caiu à medida que começou a reger, na madrugada, o toque de recolher, que proibiu a livre circulação de cidadãos pelas ruas sem autorização.

PROBLEMA DE RECURSOS.

O descontentamento de parte da sociedade com a previdência chilena, administrada por empresas privadas, o custo da saúde, o deficiente sistema público de educação e os baixos salários em relação com o custo da vida emergiu com os protestos contra o aumento do preço do metrô.

A saturação chega ao ponto de alguns cidadãos justificarem o uso da violência, mesmo sem participarem dos atos de vandalismo.

"Se não há destruição, ninguém nos escuta", disse uma pessoa de Rancagua entrevistada por uma emissora de TV chilena em frente a uma concessionária de veículos que foi incendiada.

"O povo está cansado de tantos abusos, só queremos uma mudança pacífica, queremos ter aposentadorias dignas e uma educação boa para nossos filhos, e isso não está sendo falado", disse uma mulher da mesma cidade.

TRANSPORTE AFETADO.

Com o auge da violência e muitas estações queimadas, o metrô de Santiago decretou o fechamento de todas as linhas. A empresa de ônibus urbanos da capital suspendeu o serviço até as 7h30 deste domingo. Além disso, foram cancelados pelo menos 42 voos com saída e chegada ao Aeroporto Internacional de Santiago.

Por outro lado, a passagem Os Libertadores, principal via terrestre entre Chile e Argentina e situada em Valparaíso, ficou fechada desde que começou o toque de recolher na região. EFE

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