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Covid-19: Tratados como heróis, médicos se despedem de Wuhan pós-quarentena

Equipe de hospital em Wuhan, na China, se despede de paciente curado da covid-19 - STR/AFP VIA GETTY IMAGES via BBC
Equipe de hospital em Wuhan, na China, se despede de paciente curado da covid-19 Imagem: STR/AFP VIA GETTY IMAGES via BBC

06/04/2020 16h39

Bandeiras, flores e música marcaram as cerimônias de despedida de profissionais de saúde que foram deslocados de outras partes da China para Wuhan, como reforço durante os piores momentos da crise provocada pelo novo coronavírus, que agora soam mais distantes do berço da pandemia.

A cidade deu adeus nesta segunda-feira a 100 enfermeiras da província de Shandong, parte do contingente de mais de 42 mil profissionais de saúde que foram designados no fim de janeiro e início de fevereiro para a província de Hubei, particularmente, para a capital, Wuhan.

No entanto, a situação na cidade mudou em parte graças à ajuda desses funcionários, indo de hospitais saturados e falta de meios a zero infecções e uma única morte na cidade registrada neste domingo, segundo dados oficiais,

A cidade espera agora o fim de uma quarentena de quase 11 semanas, programada para a próxima quarta-feira.

Na saída do hotel Wuhan que recebeu os profissionais de saúde durante a estadia, as enfermeiras posaram para fotos, receberam buquês de flores e acenaram bandeiras comunistas ou chinesas.

Diante do olhar atento das autoridades locais, com músicas sentimentais e diante de uma faixa que diz "Todas as honras em dizer adeus à equipe médica", as enfermeiras sorriam.

"Tenho sentimentos confusos. Por um lado, estou triste por deixar Wuhan e abandonar aqueles que foram meus colegas. Mas, estou feliz em voltar e ver meus filhos e minha família", uma enfermeira que se identificou como Yue, antes de iniciar a viagem de volta.

A profissionals de saúde acrescentou que a situação em Wuhan "está melhorando" e ainda confessou estar comovida com a homenagem.

"As pessoas daqui, os wuhaneses, têm sido fantásticos, agradecidos. Também tenho orgulho do que fizemos aqui, do país e de seu povo", afirmou.

Não surpreende que o compromisso desses médicos do exterior esteja na imprensa local - assim como a construção de hospitais provisórios em 10 dias - como "notícias positivas" que são constantemente promovidas para a população.

Pelo menos 2.571 pessoas morreram pela COVID-19 na cidade, que fica nas margens dos rios Yangtze e Hanjiang.

Mudança de comportamento

Enquanto isso, centenas de cidadãos correram nesta segunda-feira para as lojas que acompanham o gigantesco shopping ao ar livre da Avenida Hanjie, formando um conglomerado de pessoas praticamente impensável há apenas uma semana.

Obviamente, todo mundo que quiser entrar deve usar uma máscara e passar pela inevitável verificação de segurança primeiro.

É necessário apresentar os telefones celulares que os credenciem como cidadãos saudáveis. Eles também poderão optar por deixar a cidade a partir do dia 8, quando as saídas começam a ser autorizadas.

Os consumidores que se aproximaram da Hanjie deixaram o medo para trás e dizem se sentirem mais confiantes e convencidos de que a normalidade volta a ser sentida na cidade, onde houve 50.008 casos de contágio dos 81.708 total de infectados na China desde o início da pandemia.

Muitos deles são jovens e algumas famílias com crianças e, embora as lojas de roupas e eletrônicos já estejam abertas, a maioria escolhe pedir comida ou bebida em restaurantes para viagem.

A cidade está se preparando para o fim de uma longa quarentena, diante de números oficiais que mostram melhorias (há 265 pacientes em estado grave entre os 1.299 casos ativos).

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