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Ministro dinamarquês renuncia por polêmica em sacrifício de visons infectados

Visons são criados em fazendas devido ao valor de seus pelos - Getty Images via BBC
Visons são criados em fazendas devido ao valor de seus pelos Imagem: Getty Images via BBC

18/11/2020 13h18

Copenhague, 18 nov (EFE).- O ministro de Agricultura e Alimentação da Dinamarça, Mogens Jensen, renunciou ao cargo hoje, em meio à polêmica gerada pela emissão de uma ordem ilegal para sacrificar toda a população de visons da Dinamarca, após ter sido identificada nesses animais uma mutação do novo coronavírus que poderia afetar a eficácia das futuras vacinas contra a covid-19.

O governo dinamarquês ordenou no dia 4 o sacrifício dos 15 milhões de visons nas fazendas da Dinamarca, o maior produtor mundial.

No entanto, dias depois, foi descoberto que não havia base legal para a medida, apenas onde havia sido detectado o contágio ou em áreas próximas, mas na terça-feira foi obtido o apoio necessário para a realização de uma reforma que permitisse a ordem.

"Está claro que é absolutamente necessário para mim ter a confiança dos partidos do Parlamento para exercer o meu cargo, e acredito que não tenho mais o apoio requerido. Por isso, sinto que devo apresentar a minha renúncia", declarou Jensen à emissora televisão pública "DR".

A renúncia de Jensen já era esperada, após vários partidos de centro e esquerda que dão maioria parlamentar ao governo social-democrata de Mette Frederiksen retiraram sua confiança. A primeira-ministra já havia afirmado várias vezes que a responsabilidade pelo ocorrido era do ministro.

O anúncio veio pouco antes da divulgação de três comunicados internos das autoridades. O primeiro mostra "com clareza" que o Ministério da Alimentação cometer um "erro", pelo qual Jensen voltou a se desculpar.

Primeiros casos em junho

Os primeiros casos de coronavírus em visons foram detectados em junho. O governo ordenou o sacrifício de todos os animais nas fazendas afetadas, enquanto aumentava as medidas de controle no resto das instalações.

De acordo com reportagens da imprensa dinamarquesa, as autoridades de saúde alertaram em setembro sobre as dificuldades de controlar a propagação da doença nas fazendas e recomendaram o isolamento de criadores e funcionários, mas este conselho não foi seguido.

Somente há duas semanas, quando o Instituto Serológico, o centro de referência para doenças infecciosas, advertiu que algumas das variantes podem afetar as vacinas, o governo ordenou o sacrifício de toda a população de visons.

A reforma legal, que será aprovada nesta semana, proibirá a criação de visons até 31 de dezembro de 2021 e o transporte de espécimes vivos para o país, além de estabelecer o pagamento de 30 coroas dinamarquesas por peça aos criadores que sacrificarem seus visons antes do dia 19, enquanto os partidos políticos continuam a negociar indenizações para os proprietários.

Mais de 200 pessoas foram infectadas com uma das cinco mutações do vírus detectadas nos visons, 12 delas com a chamada "Cluster 5", que enfraquece a capacidade de criar anticorpos e pode afetar futuras vacinas, mas nenhum caso novo foi detectado em dois meses.

Além do sacrifício dos visons, as autoridades impuseram restrições em sete municípios do norte da Jutlândia, a área mais afetada, incluindo o fechamento de bares e restaurantes e uma recomendação para limitar a circulação.

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