Casa Branca transmitiu mensagem cética em relação à UE antes de visita de Pence, dizem fontes

Por Noah Barkin

BERLIM (Reuters) - Na semana que antecedeu a visita do vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, a Bruxelas e sua promessa de um compromisso "firme e duradouro" dos EUA com a União Europeia, o estrategista-chefe da Casa Branca, Steve Bannon, se reuniu com um diplomata alemão e transmitiu uma mensagem diferente, de acordo com pessoas a par das conversas.

Bannon, disseram as fontes, sinalizou ao embaixador da Alemanha em Washington que vê a UE como uma estrutura falha e que prefere conduzir as relações com a Europa de forma bilateral.

Três pessoas que foram informadas sobre a reunião falaram à Reuters sob condição de anonimato, devido à delicadeza do assunto. O governo alemão e o embaixador, Peter Wittig, não quiseram comentar, citando a confidencialidade das conversas.

Um funcionário da Casa Branca que conversou com Bannon em resposta a uma indagação da Reuters confirmou que a reunião ocorreu, mas disse que o relato da Reuters foi impreciso. "Eles só conversaram por cerca de três minutos e foi só um alô rápido", afirmou.

As fontes descreveram um encontro mais longo, durante o qual Bannon levou o tempo que quis para expor sua visão de mundo. As fontes disseram que sua mensagem foi semelhante à que transmitiu em uma conferência no Vaticano em 2014, quando estava a cargo do site de direita Breitbart News.

Naqueles comentários, feitos via Skype, Bannon falou de maneira favorável sobre movimentos populistas europeus e descreveu um anseio por nacionalismo por parte de pessoas que "não acreditam nesta espécie de pan-União Europeia".

A Europa Ocidental, afirmou ele à época, foi erguido tendo com base "movimentos nacionalistas fortes", acrescentando: "Acho que é o que pode nos levar adiante".

O encontro perturbou integrantes do governo alemão, em parte porque algumas autoridades vinham alimentando a esperança de que Bannon pudesse moderar suas opiniões uma vez no governo dos EUA e demonstrar uma mensagem mais matizada sobre a Europa em conversas particulares.

Uma fonte a par da reunião disse que ela confirmou a visão de que a Alemanha e seus parceiros europeus devem se preparar para uma política de "hostilidade em relação à UE".

Uma segunda fonte expressou o temor, baseado em seus contatos com Washington, de que não se esteja valorizando o papel do bloco na manutenção da paz e da prosperidade na Europa do pós-guerra.

"Parece não existir na Casa Branca a compreensão de que um desmonte da UE teria consequências graves", disse a fonte.

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