Ex-advogado da Keppel colaborou com EUA em investigação sobre propinas na Lava Jato

Por Nate Raymond

(Reuters) - Um ex-advogado da empresa de construção de plataformas de petróleo Keppel Corp secretamente se declarou culpado e cooperou com autoridades norte-americanas antes de a companhia concordar em pagar 422 milhões de dólares para encerrar acusações de que havia subornado autoridades brasileiras, de acordo com documentos judiciais.

Jeffery Chow, um ex-membro graduado do departamento jurídico da Keppel Offshore & Marine, fechou um acordo para ajudar procuradores norte-americanos em sua investigação sobre a Keppel , de acordo com documentos liberados na terça-feira em um tribunal do Brooklyn.

O Departamento de Justiça dos EUA havia dito que de 2001 a 2014 a Keppel pagou 55 milhões de dólares em propina para funcionários da Petrobras e políticos, como parte do esquema de corrupção investigado pela operação Lava Jato.

Chow, de 59 anos, se declarou culpado no dia 29 de agosto de conspirar para violar a Lei de Práticas de Corrupção no Exterior como parte de seu acordo de colaboração. Ele admitiu ter elaborado contratos que foram utilizados para pagar subornos, de acordo com registros do tribunal.

"Sinto profundamente pela minha conduta", disse Chow, durante sua audiência, de acordo com a transcrição. Chow deve ser condenado no dia 2 de maio.

Em resposta enviada por email a perguntas da Reuters, a Keppel Offshore & Marine disse: "Estamos profundamente decepcionados pelo comportamento descoberto, que foi errado. Não é como a Keppel conduz negócios. Tomamos passos robustos para fortalecer controles e conformidade para garantir que tal comportamento inaceitável não se repita".

Registros do tribunal afirmam que Chow, um cidadão norte-americano, tem uma residência em Cingapura e trabalhou para a Keppel por 25 anos. Seu advogado nos Estados Unidos não respondeu a um pedido por comentários na quarta-feira.

O caso de Chow se tornou público depois que o Departamento de Justiça dos EUA anunciou na sexta-feira que a Keppel Offshore & Marine concordou em pagar 422 milhões de dólares para encerrar investigações de autoridades no Brasil, Estados Unidos e Cingapura sobre o envolvimento da empresa no esquema de corrupção.

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