EUA impõem tarifas sobre aço e alumínio de Canadá, México e União Europeia

WASHINGTON/PARIS (Reuters) - Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira que vão impor tarifas de importação sobre alumínio e aço do Canadá, do México e da União Europeia, encerrando meses de incerteza sobre possíveis isenções e reacendendo temores sobre uma guerra comercial global.

A medida, anunciada pelo secretário de Comércio norte-americano, Wilbur Ross, em entrevista a jornalistas por telefone nesta quinta-feira, enfureceu os principais aliados dos EUA e indica um endurecimento da abordagem da administração do governo do presidente, Donald Trump, a negociações comerciais.

A decisão também afetou mercados financeiros, com o Dow Jones <.DJI> operando em queda de cerca de 0,5 por cento. As ações dos pesos-pesado da indústria Boeing e Caterpillar eram negociadas em baixa de cerca de 1 por cento, enquanto ações de companhias de aço e alumínio dos EUA subiam.

Tarifas de importação de 25 por cento sobre o aço e de 10 por cento sobre o alumínio da UE, do Canadá e do México entrarão em vigor à meia-noite (horário local), disse Ross a repórteres.

"Estamos ansiosos para continuar as negociações, tanto com o Canadá e o México, por um lado, e com a Comissão Europeia, por outro lado, porque há outras questões que também precisamos resolver", disse.

O Brasil, segundo maior exportador de aço para os EUA, negocia com Washington uma eventual isenção das tarifas sobre aço e alumínio, impostas em março pelo governo Trump.

No entanto, segundo uma fonte com conhecimento direto do assunto, a expectativa é que o país também seja atingido pelas medidas e que tenha conhecimento de detalhes das definições nesta sexta-feira, quando o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) deve divulgar uma posição a respeito.

A fonte, que pediu anonimato, afirmou nesta quinta-feira que para o setor de aço semiacabado, que corresponde a cerca de 80 por cento do que o Brasil exporta, a expectativa é de aplicação de uma cota equivalente à média do volume vendido aos EUA nos últimos três anos.

Para o produto acabado, na média, é esperada uma cota equivalente à média do volume vendido aos EUA nos últimos três anos menos 30 por cento. Já para o alumínio, o próprio setor havia indicado a preferência por arcar com a sobretaxa de 10 por cento.

De acordo com a fonte, o Brasil espera a comunicação do governo norte-americano para saber exatamente a partir de quando valerão as cotas para o aço e o que acontecerá com as vendas de produtos excedentes após elas serem atingidas.

REAÇÃO

Canadá e México, envolvidos em conversas com os EUA para modernizar o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta), responderam rapidamente à medida anunciada nesta quinta-feira pelo governo norte-americano.

O Canadá, maior fornecedor de aço para os EUA, irá impor tarifas retaliatórias sobre 16,6 bilhões de dólares canadenses em importações dos EUA, incluindo uísque, suco de laranja, aço, alumínio e outros produtos, disse a ministra das Relações Exteriores do Canadá, Chrystia Freeland.

"A administração norte-americana tomou uma decisão hoje que nós deploramos, e obviamente levará a medidas retaliatórias, como deve ser", disse o premiê Justin Trudeau em coletiva de imprensa com Freeland.

O México anunciou o que descreveu como medidas "equivalentes" em uma ampla variedade de produtos agrícolas e industriais dos EUA.

Membros da UE deram amplo apoio ao plano da Comissão Europeia de estabelecer encargos de 2,8 bilhões de euros (3,4 bilhões de dólares) sobre exportações norte-americanas se Washington encerrar a isenção tarifária. Exportações da UE possivelmente sujeitas a encargos norte-americanos valem 6,4 bilhões de euros (7,5 bilhões de dólares).

"Depende inteiramente das autoridades dos EUA se querem entrar em um conflito comercial com seu maior parceiro, a Europa", disse o ministro das Finanças da França, Bruno Le Maire, após encontro com Ross nesta quinta-feira.

(Reportagem de Eric Walsh e David Shepardson em Washington, Ingrid Melander em Paris, Madeline Chambers em Berlim, Philip Blenkinsop em Bruxelas e Allison Martel em Toronto; com reportagem adicional de Marcela Ayres, em Brasília)

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