Após Reuters revelar que forças de Israel mataram jornalista, país diz que área é zona de combate

JERUSALÉM (Reuters) - As Forças Armadas israelenses, respondendo nesta sexta-feira a uma investigação da Reuters que determinou que as forças do país mataram um jornalista da Reuters no sul do Líbano em 13 de outubro, disseram que o incidente ocorreu em uma zona de combate ativa e que estava sendo analisado.

Sem abordar diretamente a morte do jornalista Issam Abdallah, uma declaração militar informou que os combatentes libaneses do Hezbollah haviam atacado naquele dia do outro lado da fronteira e que as forças israelenses abriram fogo para evitar uma possível infiltração armada.

Uma reportagem especial da Reuters publicada na quinta-feira constatou que uma tripulação de tanque israelense matou Abdallah e feriu seis repórteres ao disparar dois projéteis em rápida sucessão a partir de Israel enquanto os jornalistas filmavam bombardeios transfronteiriços.

A declaração de Israel nesta sexta-feira informou que, em 13 de outubro, militantes do Hezbollah apoiados pelo Irã lançaram um ataque contra vários alvos dentro do território israelense ao longo da fronteira libanesa.

"Um incidente envolveu o disparo de um míssil antitanque, que atingiu a cerca da fronteira perto do vilarejo de Hanita. Após o lançamento do míssil antitanque, surgiram preocupações sobre a possível infiltração de terroristas no território israelense", disseram as Forças de Defesa de Israel (IDF) em um comunicado.

"Em resposta, a IDF usou artilharia e fogo de tanque para impedir a infiltração. A IDF está ciente da alegação de que jornalistas que estavam na área foram mortos."

"A área é uma zona de combate ativa, onde ocorre fogo ativo e estar nessa área é perigoso. O incidente está sendo analisado no momento", acrescentou.

Os ataques mataram Abdallah, de 37 anos, e feriram gravemente a fotógrafa da Agence France-Presse (AFP) Christina Assi, de 28 anos, a pouco mais de um quilômetro da fronteira israelense, perto do vilarejo libanês de Alma al-Chaab.

A Anistia Internacional disse na quinta-feira que os ataques israelenses provavelmente foram um ataque direto a civis e devem ser investigados como crime de guerra.

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Em um relato separado, a Human Rights Watch (HRW) afirmou que os dois ataques israelenses foram "um ataque aparentemente deliberado contra civis e, portanto, um crime de guerra" e que aqueles que os cometeram devem ser responsabilizados.

O secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, disse na quinta-feira que é importante que o inquérito de Israel sobre o assassinato chegue a uma conclusão e que os resultados sejam vistos.

"Meu entendimento é que Israel iniciou essa investigação, e será importante ver essa investigação chegar a uma conclusão e ver os resultados da investigação", declarou Blinken em uma coletiva de imprensa.

(Por Dan Williams e Howard Goller)

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