Fiança milionária livra Harvey Weinstein de prisão até o julgamento

O produtor de cinema Harvey Weinstein se entregou nesta segunda-feira (25) à polícia de Nova Iorque. Após ter sido denunciado por mais de 70 mulheres, entre elas diversas atrizes de renome, a justiça irá julgar o caso de duas delas. O magnata foi indiciado por estupro e abuso sexual, mas pagou uma fiança milionária e poderá aguardar o julgamento em liberdade.

A imagem de Harvey Weinstein saindo algemado da delegacia de Nova Iorque dá a volta ao mundo. Essa é a primeira vez que o produtor americano será indiciado, mesmo após dezenas de queixas terem sido feitas contra ele. Após pagar uma fiança de U$ 1 milhão, Weinstein terá que usar uma tornozeleira eletrônica, mas aguardará o julgamento em liberdade.

A polícia nova-iorquina não deu detalhes sobre o indiciamento. Segundo a imprensa americana, o magnata do cinema de 66 anos deverá responder por atos cometidos em 2004, quando teria forçado a atriz Lucia Evans a praticar sexo oral, e em 2013, quando teria estuprado uma mulher, cuja identidade ainda não foi revelada.  

Revelações

O New York Times e a New Yorker publicaram as primeiras acusações contra o produtor em outubro do ano passado. Desde então, mais de 70 atrizes – entre elas, Angelina Jolie, Gwyneth Paltrow e Asia Argento –, modelos e ex-funcionárias também saíram da sombra. Pelas investigações da imprensa nova-iorquina - recompensadas com o Prêmio Pulitzer – descobriu-se que Weinstein usava seu poder para obrigar jovens atrizes, ou aspirantes a atrizes, a realizar suas fantasias sexuais, algumas vezes contando com a ajuda de seus funcionários e comprando o silêncio das vítimas com acordos de confidencialidade.

Também foi possível constatar que muitos colegas estavam a par das atitudes de Weinstein. Mas o medo de ver suas carreiras serem arruinadas pelo magnata fez com que quase todos preferissem o silêncio. As revelações tiveram o efeito de uma bomba. Centenas de mulheres começaram a testemunhar nas redes sociais usando a hashtag #MeToo ("eu também", em português). O movimento derrubou dezenas de homens de poder em diversos setores, como cinema, imprensa, moda, gastronomia e música.

Na França, o diretor e produtor de cinema Luc Besson, conhecido por grandes produções como "O Quinto Elemento" e o recente "Valerian e a Cidade dos Mil Planetas", também foi acusado de estupro, na semana passada, por uma jovem atriz que teria sido dopada por ele. Nesta quinta-feira (24), foi a vez do ator Morgan Freeman pedir desculpas publicamente após ter sido acusado de assediar oito mulheres.

Um alívio

O anúncio do indiciamento de Harvey Weinstein, após meses de investigação pelo procurador de Manhattan, acusado de fazer corpo mole no caso, foi comemorado por várias personalidades do movimento #MeToo.

"Ainda estou chocada", declarou a ex-atriz Rose McGowan ao canal ABC. "Tenho que confessar que não pensava em vê-lo algemado um dia. É um novo passo para a justiça", completou McGowan, que diz ter sido estuprada pelo magnata no festival de Sundance de 1997.

"É um alívio para muitas vítimas", disse Tarana Burke, fundadora do "MeToo." Estamos assistindo, talvez, a uma mudança na maneira como os casos de violência sexual são tratados", completou.

A jornalista francesa Sandra Muller, criadora do hashtag #balancetonporc, versão francesa do movimento americano #MeToo, diz estar aliviada com a entrega de Weinstein à polícia e que "chegou a hora de algo acontecer" nesse escândalo. "Uma nova promotora, uma mulher, foi nomeada no início do mês em Nova York e, surpreendentemente, poucos dias depois, Harvey Weinstein se entregou", declarou Muller à radio Franceinfo, fazendo referência a nova procuradora-geral do estado de Nova Iorque, Barbara Underwood. O antecessor no cargo, Eric Scheiderman, se demitiu depois da divulgação de denúncias contra ele em relação a supostas agressões físicas contra várias mulheres.

Inocente

"O senhor Weinstein se declarará inocente", disse a jornalistas o famoso advogado Benjamin Brafman, em frente ao tribunal de Manhattan, onde o magnata de Hollywood compareceu brevemente para fixar as condições de sua fiança. Brafman é o mesmo advogado que defendeu o ex-diretor do Fundo Monetário Internacional Dominique Strauss-Kahn de uma acusação de estupro, em 2011.

O ex-ministro socialista francês foi denunciado por uma camareira do hotel Sofitel de Nova York. DSK, como é conhecido na França, chegou a ir para a prisão, mas, depois de pagar uma fiança milionária, foi beneficiado com prisão domiciliar e uso de tornozeleira eletrônica. O caso foi encerrado depois de Brafman obter para o francês um acordo financeiro com a denunciante.

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