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Ex-aliada do PSL, Fundação ligada ao Partido Liberal alemão quer distância de Bolsonaro

26/10/2018 16h24

Depois de se comprometer a ajudar o Partido Social Liberal (PSL) – antes do ingresso do candidato Jair Bolsonaro na legenda – a Fundação ligada ao Partido Democrático Alemão (FDP) diz que a candidatura do capitão da reserva “coloca a democracia brasileira em risco”.

Cristiane Ramalho, correspondente da RFI em Berlim

A Fundação Friedrich Naumann (FNS), ligada ao Partido Democrático Alemão (FDP), sigla liberal de centro-direita, quer se distanciar da candidatura de Jair Bolsonaro. Em seu site oficial, a FNS diz que a vitória do candidato do PSL no primeiro turno foi “um tapa na cara de todos os democratas”, e que ela representa “um perigo para a Democracia brasileira”.

A decisão também é justificada pela “defesa da antiga Ditadura Militar” e pelas “posições racistas e sexistas” do candidato.

A Fundação chegou a anunciar seu apoio ao PSL, direcionado ao grupo LIVRES – uma tendência liberal dentro da legenda. Mas depois da filiação de Bolsonaro, em março, a entidade afirma agora que não houve qualquer trabalho conjunto com o “populista de direita”.

Em seu site, a FNS diz ainda que o escritório no Brasil foi fechado no final de 2017.

Versões desencontradas

Segundo matéria publicada pelo jornal Frankfurter Rundschau, porém, a declaração de apoio da FNS ao PSL continuava no site da Fundação até 9 de outubro, mas foi apagado.

Autor da matéria para o jornal alemão, o jornalista Timo Dorsch disse à RFI que, ao perguntar para a assessoria de imprensa da Fundação sobre o texto, “primeiro, disseram que era boato”. Depois, ao mostrar a imagem do post, que havia sido publicada numa rede social, disseram que o site “estava desatualizado”.

O jornalista acha que a justificativa é plausível. Mas que dez meses é um tempo longo demais para o deslize. Segundo ele, o post foi publicado nas redes sociais por Ismail Küpeli e Lucas Schucht. Por e-mail, o chefe da assessoria de imprensa da Fundação, Anders Mertzlufft, disse à RFI que a matéria, que tem como título “Ajuda liberal para Bolsonaro”, “não segue os fatos”.

“A Fundação apoiou apenas o LIVRES. E o LIVRES deixou o PSL por causa de Bolsonaro”. “Trata-se de boato dizer que a Fundação apoia Bolsonaro”, afirmou Mertzlufft. Ele não respondeu, no entanto, que tipo de ajuda a FNS teria dado ao LIVRES, nem a data exata de suspensão da cooperação com o grupo.

Custo político

O movimento LIVRES prega a defesa do liberalismo econômico e o apoio a liberdades individuais – como o próprio FDP alemão. Eles detinham 12 dos 27 diretórios estaduais do PSL, mas anunciaram a sua saída do partido em janeiro, diante da aproximação da legenda com Bolsonaro. O candidato oficializou em março sua entrada no PSL.

“A postura política dele contraria a base e os valores democráticos, aos quais a economia também está sujeita. Deve haver um custo político para instituições alemãs que trabalhem com Bolsonaro”, avalia o jornalista.