Topo

Presidente do Banco Central diz em Washington que pode intervir no câmbio

18/10/2019 13h50

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, disse nesta sexta-feira (18), em Washington, que está aberto a intervir no câmbio ao comprar dólar no final do ano, se houver um fluxo muito acentuado que gere uma ruptura no mercado.

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, disse nesta sexta-feira (18), em Washington, que está aberto a intervir no câmbio ao comprar dólar no final do ano, se houver um fluxo muito acentuado que gere uma ruptura no mercado.

Ligia Hougland, correspondente da RFI em Washington

"Fazemos correção quando achamos que tem uma ineficiência no mercado, uma ruptura por gap de liquidez ou por um fluxo muito acentuado que gere uma ruptura de qualquer tipo", explicou o presidente do BC.

Em entrevista coletiva a jornalistas, na sede do Fundo Monetário Internacional (FMI), o presidente do BC também falou sobre depósitos compulsórios, lembrando que o BC tinha feito liberações ao longo do ano. "Quando olhamos se a liberação foi toda para o mercado em forma de crédito ou se ela ficou empossada, chegamos à conclusão que um pedaço dela ficou empossado."

Campos Neto explicou que o BC está agora desenvolvendo um plano de assistência de liquidez, pois a forma da instituição de prover liquidez precisa ser aprimorada. O novo plano envolve o mapeamento e uma precificação do crédito privado e, em uma crise de liquidez, o BC dará empréstimo às instituições financeiras. Tal empréstimo terá como efeito colateral uma carteira de crédito privado que, ao contrário do que acontece hoje, já estará precificada.

Depósitos compulsórios

Segundo o presidente do BC, isso resultará em depósitos compulsórios com níveis muito mais baixos. "Não adianta também o BC fazer uma liberação muito grande do compulsório, porque, no final, com o que nós fizemos esse ano, chegamos à conclusão, que um pedaço de fato foi para crédito, mas um pedaço foi empossado", disse o economista ao explicar que esse é um planejamento de longo prazo.

Quanto ao curto prazo, Campos Neto disse que o BC acha que o compulsório está estruturalmente alto, o que justifica pequenas liberações ao longo do tempo, sem ainda ter sido definido um patamar exato. Além disso, disse acreditar que, entre 2020 e 2021, o mapeamento do crédito privado - que potencialmente pode ter um patamar de R$ 100 bilhões a mais de liberação do compulsório - ficará mais definido em termos de horizonte e valores.

O presidente do BC lembrou que os juros globais influenciam a economia brasileira, dizendo que as curvas globais estão significativamente mais baixas, com baixo crescimento e inflação. O economista também disse que a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China custou ao Brasil cerca de 0,2% em crescimento em 2019. Mas Campos Neto lembrou que devem sempre ser considerados três fatores: global, reformas e variáveis locais, na forma de dinâmica de crescimento, inflação e outras.

Reformas

Campos Neto disse que há uma necessidade de os investidores estrangeiros entenderem quais reformas estão sendo realizadas. "É importante mencionar [a eles] que o que foi prometido, o que foi explicado, está sendo entregue", disse.

O presidente do BC disse que está explicando aos investidores que o Brasil é um "caso fiscal", com três grandes grupos responsáveis (previdência, juros da dívida e reforma do patrimônio). Os investidores estão sendo assegurados por Campos Neto de que a reforma da previdência está prestes a ser concretizada. Sobre os juros da dívida, os investidores estão sendo informados que, com o novo patamar de Selic (taxa básica de juros), o que o Brasil paga em termos de juro da dívida remete a 2012, quando o estoque da dívida era consideravelmente menor.

Quanto à reforma do patrimônio, os investidores estão sendo lembrados de que primeiro seriam vendidas as posições líquidas, com o objetivo de R$ 20 bilhões para este ano já ultrapassado. Os investidores também estão sendo assegurados sobre a implementação de um programa ambicioso de privatizações.

O presidente do Banco Central veio a Washington para participar de eventos da Reunião Anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, reuniões com ministros da Fazenda e presidentes de BCs do G-20 e do Brics, além de encontros com investidores.

Campos Neto ficará na capital americana até este domingo (20).

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.total}} Comentário

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

Essa discussão está encerrada

Não é possivel enviar novos comentários.

{{user.alternativeText}}
Avaliar:

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

Notícias