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Quarentena em bairros pobres de Madri levanta críticas de "segregação geográfica"

21/09/2020 11h28

Quase um milhão de habitantes do sul de Madri devem "ficar em casa o maior tempo possível" a partir desta segunda-feira (21) para conter a segunda onda da pandemia de Covid-19, enquanto os Estados Unidos se aproximam de 200 mil mortes pelo coronavírus. A região é a mais pobre da capital espanhola.

Quase um milhão de habitantes do sul de Madri devem "ficar em casa o maior tempo possível" a partir desta segunda-feira (21) para conter a segunda onda da pandemia de Covid-19, enquanto os Estados Unidos se aproximam de 200 mil mortes pelo coronavírus. A região é a mais pobre da capital espanhola.

"Quarentena seletiva" é o termo utilizado por muitos na Espanha, explica o correspondente da RFI em Madri, François Musseau. Ele diz que, para muitos, a decisão "estabelece uma segregação geográfica entre ricos e pobres, além de não ser eficaz por muitos motivos, uma vez que as pessoas de zonas isoladas também podem sair para ir ao trabalho, buscar as crianças na escola ou ir a hospitais".

Os moradores das zonas mais atingidas pela Covid-19 de Madri - 850.000 pessoas, ou 13% da população da região - só poderão sair do seu bairro pelas razões citadas acima, mas poderão circular livremente dentro de sua vizinhança, embora as autoridades regionais recomendem "que fiquem em casa o maior tempo possível". Da mesma forma, a entrada nessas áreas está proibida, exceto pelas mesmas razões de necessidade.

As medidas serão aplicadas por duas semanas. Nesses bairros ou municípios, localizados na zona sul, a mais pobre, da capital, os parques ficarão fechados e os bares e restaurantes terão que limitar sua capacidade a 50%.

"As contaminações estão aumentado, no entanto não se trata exatamente de uma quarentena, mas de restrições. Assim como na França, a Espanha tenta manter um equilíbrio entre proteção da saúde e da economia", explica Hubert Peres, professor de Ciências Políticas da Universidade de Montpellier, na França, em entrevista à RFI.

Gestão de crise criticada

O chefe de Governo, o socialista Pedro Sánchez garante que a situação não é semelhante à primeira quarentena. "É verdade que não podemos fechar nenhuma porta, porque obviamente o vírus é um agente desconhecido (...) mas acho que agora temos os meios para conter e achatar a curva das infecções", disse.

Sánchez vai se reunir nesta segunda-feira com a presidente conservadora da região de Madri, Isabel Díaz Ayuso, muito criticada pela gestão da crise. "Temos a impressão de que zombam de nós: podemos continuar trabalhando em outras áreas que não estão isoladas, apesar do risco de aumentar as infecções, e também podemos nos infectar em nossa área", denunciou Bethania Pérez, enfermeira de 31 anos, durante uma manifestação contra as medidas.

(RFI e AFP)