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Covid-19: EUA devem anunciar exigência da vacinação de funcionários públicos

17.abr.2021 - Enfermeira aplica dose da vacina contra a covid-19 da Moderna em Gardena, Califórnia (EUA) - Patrick T.Fallon/AFP
17.abr.2021 - Enfermeira aplica dose da vacina contra a covid-19 da Moderna em Gardena, Califórnia (EUA) Imagem: Patrick T.Fallon/AFP

Lígia Hougland

Da RFI, em Washington

29/07/2021 04h16Atualizada em 29/07/2021 08h03

Com a situação da pandemia da covid-19 se agravando nos Estados Unidos devido à variante delta e uma queda nos índices de vacinação, o presidente Joe Biden vai anunciar hoje que todos os funcionários públicos do governo federal terão de ser vacinados.

A exigência afetará um grande número de pessoas em Washington. Dos 2 milhões de funcionários públicos federais, cerca de 400 mil vivem na capital americana. Aproximadamente 60% dos adultos — e mais de 80% dos idosos — que vivem na região metropolitana de Washington já estão plenamente vacinados.

A Casa Branca, entretanto, somente forçará aqueles funcionários que trabalham diretamente com pacientes em hospitais do departamento de Assuntos de Veteranos a serem vacinados. Os outros funcionários do governo que optarem por não fazer a vacinação não serão demitidos, mas terão de ser testados frequentemente — possivelmente semanalmente — e somente poderão participar de viagens de trabalho essenciais.

Em dezembro passado, Biden havia dito que a vacinação não seria obrigatória. A maior parte das críticas à obrigatoriedade da vacinação vem da oposição, que diz que a exigência é autoritária e inconstitucional. Porém, o departamento de Justiça diz que empregadores podem, de fato, impor vacinações como uma condição para o vínculo empregatício.

No entanto, alguns médicos, apesar de serem, de modo geral, a favor da imunização, também questionam a medida. Eles dizem que é preciso levar em conta que, em alguns casos, como pessoas com determinadas doenças ou que talvez já tenham anticorpos contra a covid-19, a vacinação pode não ser recomendada.

Americanos aguardam aprovação pelo FDA

Até o momento, as vacinas que estão sendo distribuídas nos Estados Unidos — Pfizer, Moderna e Janssen — somente são aprovadas para uso de emergência pela Food and Drug Administration (FDA), a agência encarregada da regulamentação de medicamentos. Isso contribui com a hesitação que algumas pessoas têm em relação à imunização, especialmente no caso de vacinação de menores de idade.

Muitos pais preferem aguardar a aprovação das vacinas pela FDA antes que seus filhos sejam vacinados. Até meados de julho, apenas 35% dos jovens americanos de 12 a 24 anos haviam sido totalmente imunizados contra a covid-19.

Segundo uma pesquisa da Kaiser Permanente Foundation, cerca de 16% dos americanos não imunizados contra o coronavírus acham que a vacina ainda é muito nova para se saber se é realmente segura. Recentemente, Biden disse que acredita que as vacinas que estão sendo distribuídas nos EUA — Pfizer, Moderna e Janssen — serão aprovadas pela FDA no fim de agosto ou poucas semanas depois disso.

Apesar de Biden poder impor a medida também a militares, ele provavelmente quer evitar uma controvérsia dentro do seu próprio governo. O secretário de defesa, Lloyd Austin III, já disse que não quer obrigar a vacinação de militares enquanto a vacina não for aprovada pela FDA. Isso serve para despertar ainda mais desconfiança entre os americanos não vacinados.

Esta semana, o Centro para Controle e Prevenção de Doenças (Centers for Disease Control and Prevention, CDC) divulgou novas diretrizes, especialmente para combater a disseminação da variante Delta. As novas diretrizes incluem a volta da recomendação de uso de máscaras, mesmo para as pessoas vacinadas, dentro de lugares fechados em áreas onde o índice de infecção seja alto.

Além disso a agência recomenda o uso de máscara para professores, alunos e pessoal de administração de escolas, desde o jardim de infância até o ensino médio, independentemente de serem vacinados ou não. Muitos veem as novas medidas do governo federal como uma forma de punição e até coerção para que sejam imunizadas.

A maioria dos americanos, no entanto, aceita que as medidas de saúde pública precisam reagir aos dados mais atuais. E a variante delta tem se manifestado com força, especialmente em estados como a Flórida e a Carolina do Sul. No entanto, não há dúvida de que as novas diretrizes e medidas causaram um desânimo geral em uma população que queria acreditar que a pandemia já tinha chegado ao fim.

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