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Em busca de apoio para as eleições de 2022, Marine Le Pen se reúne com premiê húngaro em Budapeste

26/10/2021 15h07

Sob escolta policial e com tapete vermelho estendido, o primeiro-ministro húngaro acolheu pessoalmente a líder da extrema direita francesa, Marine Le Pen, nesta terça-feira (26) em seu escritório em Budapeste. A chefe do partido Reunião Nacional não poupou elogios ao dirigente ultraconservador e prometeu todo o seu apoio caso seja eleita presidente da França, em 2022.

Sob escolta policial e com tapete vermelho estendido, o primeiro-ministro húngaro acolheu pessoalmente a líder da extrema direita francesa, Marine Le Pen, nesta terça-feira (26) em seu escritório em Budapeste. A chefe do partido Reunião Nacional não poupou elogios ao dirigente ultraconservador e prometeu todo o seu apoio caso seja eleita presidente da França, em 2022.

"A Hungria de 2021, sob a sua liderança, se posiciona mais uma vez na frente do combate pela liberdade dos povos", declarou Le Pen em coletiva de imprensa após o encontro. Saudando a "coragem" e a determinação do premiê húngaro, ela declarou que pretende lutar ao lado de Orban para "reorientar a União Europeia, cuja brutalidade ideológica ataca até mesmo a ideia de soberania". 

A líder da extrema direita francesa metralhou o bloco de críticas, "envenenado por sua própria existência, seu poder e sua onipotência". Le Pen também denunciou uma "vontade de submissão" da União Europeia e recusou o princípio de supremacia do direito europeu. "Esse princípio só pode ser imposto através de manobras", afirmou. 

A candidata à presidência também defendeu a Polônia, que protagoniza uma forte polêmica devido a uma série de controversas reformas judiciais contestadas pela União Europeia. Para Le Pen, a justiça polonesa "tem razão em afirmar o direito de estabelecer e respeitar as regras fundadoras de seu pacto nacional e social". Na última sexta-feira (22), ela se reuniu com o primeiro-ministro polonês, Mateusz Morawiecki, em Bruxelas.

No entanto, a líder da extrema direita francesa evitou mencionar diretamente a recente lei húngara anti-LGBT, motivo de uma queda de braço entre Budapeste e Bruxelas. "Como sou fundamentalmente arraigada à soberania de cada uma das nações, não estou no espírito de dar lições ao povo húngaro", justificou. 

Em campanha para as eleições presidenciais de 2022, a chefe do Reunião Nacional foi até Budapeste em busca de apoio de Orban. Em coletiva de imprensa, ela também prometeu "reformar a constituição francesa por referendo para valorizar o princípio de sua superioridade, sobretudo no que diz respeito à imigração. Segundo ela, "a submersão imigratória que a União Europeia quer organizar" tem "efeitos desastrosos" que já podem ser sentidos "em nível identitário, financeiro e territorial". 

Sem anúncios concretos

Le Pen foi recebida pelo premiê húngaro um mês após a visita de Eric Zemmour, outra figura polêmica da extrema direita francesa e potencial candidato para as eleições de 2022 na França. No entanto, apesar dos esforços da chefe do Reunião Nacional em se aliar com Orban, nenhum anúncio oficial foi feito da parte do líder húngaro. 

Questionado sobre o futuro pleito na França, o premiê húngaro declarou que "a decisão diz respeito ao povo francês". Orban, cujo partido deixou o grupo PPE (de direita) no Parlamento Europeu em março, explicou estar "em busca de parceiros para cooperar nesta nova era". Para ele, o apoio de Le Pen é "incontornável", classificou, saudando o apoio da fiel aliada de anos. 

"Acredito que enquanto as forças patriotas e defensoras da soberania não se aliarem no Parlamento Europeu, elas têm evidentemente menos peso que se constituirmos esse grande grupo que estamos tentando formar há um bom tempo", disse Le Pen.

No entanto, a questão não avançou desde a publicação, em julho, de uma declaração comum entre a candidata da extrema direita e cerca de 15 aliados na Europa, entre eles, o primeiro-ministro húngaro. 

(Com informações da AFP)