Partidos de extrema direita se reúnem em Florença pra definir política comum para eleições europeias

O vice-primeiro-ministro italiano e secretário-geral do partido de extrema direita Liga, Matteo Salvini, e o grupo Identidade e Democracia do Parlamento Europeu, convocaram uma dezena de delegações de partidos que se opõem à União Europeia e anti-imigrantes para se reunirem neste domingo (3) em Florença. O objetivo é lançar sua campanha para as eleições do Parlamento Europeu, em junho. 

Cerca de 2.000 participantes são esperados na cidade da Toscana, mas dois pesos pesados ??estarão ausentes: Marine Le Pen, substituída pelo presidente de seu partido Reunião Nacional, Jordan Bardella, e o holandês Geert Wilders, que luta para formar uma coligação governamental, após a vitória de sua sigla, o Partido pela Liberdade, nas eleições legislativas de 22 de novembro.

A escolha de Florença, uma das raras cidades importantes da Itália administradas por um prefeito de esquerda, bastião socialista num país dominado, há mais de um ano, pela direita e pela extrema direita, é mais uma provocação de Matteo Salvini. 

O vice-primeiro-ministro italiano disse que preferia Florença "porque ela incorpora a imagem da Renascença italiana em todo o mundo". O objetivo oficial do encontro, de acordo com Salvini, é de definir um projeto político comum para "outra Europa", "colocando no centro os valores do patriotismo baseado na identidade". 

Giorgia Meloni ausente

Embora membro do executivo de direita e extrema direita, Matteo Salvini não é apoiado nesta iniciativa por Irmãos da Itália de Giorgia Meloni, nem pelo Força Itália. A primeira-ministra, cujo partido adere ao grupo europeu de conservadores e reformistas, faz questão de se distanciar da Liga adotando uma posição mais moderada. 

Quanto ao Forza Italia, membro do Partido Popular Europeu no Parlamento Europeu, o seu líder e chefe da diplomacia, Antonio Tajani, declarou: "Nunca nos aliaremos a forças como o Reunião Nacional ou a AFD" Alternative für Deutschland (Alternativa para Alemanha). 

Matteo Salvini tentará, portanto, reconquistar os eleitores soberanistas europeus.

Mas, de acordo com as últimas sondagens, a Liga obtém menos de 10% das intenções de voto, apesar de ter obtido 39% nas eleições europeias de 2019, o que deve gerar tensões dentro da coligação governamental italiana até junho de 2024. No entanto, estas desavenças não deverão pôr em causa a liderança de Giorgia Meloni.

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Resposta dos anti-racistas

A oposição tentará ser ouvida diante da ofensiva de Matteo Salvini. A centro-esquerda não tem força na Itália, mas o antifascismo, o antiracismo e o sentimento pró-Europa são muito fortes na Toscana. 

O presidente da Câmara de Florença, Dario Nardella, deu seu apoio às manifestações lançadas pela Rede Democrática Florentina e pelo movimento antifascista de Florença, mas pediu para que evitassem qualquer violência "que pudesse entrar no jogo de Salvini". 

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