Governo francês apresenta novo plano para lutar contra queda do nível escolar

O Ministério da Educação da França apresentou, na terça-feira (5), um novo plano para "retomar a exigência" nos estabelecimentos de ensino do país. A iniciativa chega no momento em que a França digere os resultados ruins dos alunos revelados no último relatório do Pisa. O balanço, realizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mostrou que o país despencou 21 pontos nos conhecimentos em matemática, entre 2018 e 2022.

"Como aumentar o nível?", questiona o jornal Le Parisien em sua manchete desta quarta-feira (6). O diário classifica o desempenho dos alunos franceses de "medíocre", mas ressalta que não foi surpreendente. No início deste semestre, uma avaliação nacional já havia mostrado que a metade dos estudantes da 7.ª série não sabem fazer contas básicas e têm muitas dificuldades em geometria.

Entre os motivos listados para explicar os maus resultados dos alunos franceses no Pisa estão, segundo Le Parisien, a pandemia de Covid-19, que prejudicou a realização de aulas presenciais, além da falta de professores na França e as desigualdades no sistema de educação do país. De fato, o relatório do Pisa indica que a França é um dos países da OCDE onde a relação entre a situação sócio-econômica dos alunos e o desempenho escolar se mostra mais evidente. 

Separação de alunos em grupos e reprovações

Já o jornal Le Figaro desta quarta-feira enumera os principais pontos do plano do governo francês para aumentar o nível escolar, como novos programas para as primeiras séries do ensino fundamental, a volta das reprovações - atualmente raras - e a separação dos alunos por nível de conhecimento em francês e em matemática. 

"Assumo carregar uma ambição muito alta para a escola, sem nenhum tabu", indicou o ministro francês da Educação, Gabriel Attal, durante a apresentação de seus objetivos, em coletiva de imprensa na terça-feira. Segundo ele, os resultados do Pisa "são claros" e mostram que "há um problema no ensino fundamental, principalmente em matemática".

Por isso, o ministro promete colocar novos programas em prática nas escolas do país a partir de 2024. Outra prioridade é a criação de vagas para professores, em um momento em que a França enfrenta escassez de profissionais do ensino. 

Desigualdade nas escolas

"Diante dos maus resultados, respostas de baixo nível", afirma o jornal Libération. Em entrevista ao diário, representantes de sindicatos da Educação afirmam que pontos do novo programa, como a criação de grupos de alunos por níveis, só tende a acelerar as desigualdades nas escolas do país.

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"Se reunimos os alunos em um grupo frágil, eles vão pensar que são ruins, destruindo a confiança neles", alega o professor e pesquisador francês Sylvain Connac em entrevista ao diário. "Se somos convencidos que não conseguiremos, então não vale nem a pena tentar", analisa ele. 

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