Otan acusa oficialmente a China de ajudar a Rússia contra a Ucrânia

Os países membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) estão reunidos em Washington esta semana para celebrar o 75º aniversário da maior organização de segurança global. Nesta quarta-feira (10), a aliança militar acusou a China de desempenhar um papel decisivo no conflito na Ucrânia, ao fornecer armamentos à Rússia.

A Otan exigiu que Pequim suspenda imediatamente o envio de componentes de armas e outras tecnologias usadas na reconstrução de mísseis russos. A declaração foi aprovada pelos 32 líderes da organização e divulgada antes do jantar de boas-vindas às lideranças estrangeiras na Casa Branca.

A mudança de posicionamento é significativa: marca a primeira vez, desde 2019, que a aliança identifica oficialmente a China como uma preocupação. As possíveis consequências para Pequim não foram detalhadas, mas poderiam ir até sanções econômicas que restringiriam seu acesso aos mercados globais.

A Otan continua a considerar a Rússia uma ameaça significativa para a Europa e, na cúpula, anunciou a decisão de reforçar seu apoio à Ucrânia, com o envio de caças F-16 e baterias de defesa antiaérea, e reconhecendo que o país está "em um caminho irreversível" para se tornar um membro da aliança atlântica.

Aumento da ajuda à Ucrânia

A organização não fornece armas diretamente à Ucrânia, apenas apoio não letal, incluindo combustível, alimentos, suprimentos médicos e equipamentos para combate a drones e desativação de minas.

No entanto, os países membros têm a opção de enviar armas por iniciativas independentes ou em grupos. A aliança planeja ajudar a modernizar as forças armadas da Ucrânia e fortalecer suas instituições de defesa e segurança para operar de forma autônoma.

Estados Unidos, Alemanha, Países Baixos, Romênia e Itália emitiram um comunicado conjunto anunciando um plano para doar equipamentos e expertise para a Ucrânia. Os F-16, vindos da Dinamarca e dos Países Baixos, "voarão nos céus ucranianos neste verão" no hemisfério norte, declarou o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken. A Casa Branca informou que Bélgica e Noruega prometeram fornecer mais aeronaves.

Os líderes também decidiram que a ajuda militar da Otan para a Ucrânia "no próximo ano" será no mínimo de ? 40 bilhões (R$ 232 bilhões).

Continua após a publicidade

Impacto potencial da reeleição de Donald Trump

Outro ponto relevante é a preocupação com uma potencial reeleição de Trump, que pressiona os aliados a acelerarem o processo de admissão da Ucrânia como membro oficial da aliança.

Uma eventual reeleição de Donald Trump poderia testar a coesão da Otan, dada a postura crítica do republicano em relação à aliança. Durante seu mandato, Trump questionou diversas vezes o valor da Otan e pressionou os membros a aumentarem suas contribuições financeiras para o organismo, o que gerou tensões significativas entre os aliados.

No debate de campanha realizado pelos candidatos à presidência, Biden questionou Trump sobre seu compromisso com a aliança. A resposta evasiva do ex-presidente aumentou as preocupações quanto à possibilidade de divisão da Otan, não apenas pelas chances de vitória do republicano na eleição, mas também num contexto de ascensão de grupos de extrema-direita hostis à organização nos Estados Unidos e em outros países, incluindo a França.

Discurso de Biden agrada

Após um desempenho desastroso no debate, que ameaçou sua candidatura à reeleição, o discurso de abertura do presidente Biden na cúpula em Washington restaurou, pelo menos por enquanto, a confiança em sua liderança.

Continua após a publicidade

Em Washington, ele enfrenta o escrutínio de colegas da Otan, preocupados com sua capacidade de manter o apoio à Ucrânia e atuar como um contrapeso aos novos ataques russos. Biden não mencionou seus problemas políticos no discurso de abertura, mostrando confiança com o auxílio de um teleprompter.

Deixe seu comentário

Só para assinantes