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Cotidiano

Após vizinhos gravarem vídeo, advogado é preso suspeito de agredir neto em Maceió

Aliny Gama

Colaboração para o UOL, em Maceió

10/01/2020 11h18

O advogado Erisvaldo Tenório Cavalcante, 62, foi preso em flagrante pela polícia pelos crimes de lesão corporal dolosa (com intenção de fazer) e violência doméstica, depois de ter sido filmado supostamente espancando o neto, de seis anos, na sala do apartamento em que eles moram, no bairro Antares, parte alta de Maceió. O caso ocorreu por volta das 20h30 de ontem.

Cavalcante foi solto por volta das 0h45 de hoje, após pagar fiança no valor de R$ 5.000, e vai responder em liberdade. O caso será repassado da Central de Flagrantes 1, no Farol, para onde o homem foi levado pela Polícia Militar, para a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente dar prosseguimento ao inquérito.

Um policial que pediu para não ser identificado contou que o homem ficou na carceragem da Central de Flagrantes 1 por cerca de duas horas até o advogado dele chegar, quando Cavalcante prestou depoimento. O conteúdo não foi divulgado pela polícia por envolver um menor de 18 anos.

Segundo testemunhas, foram ouvidos gritos de socorro da criança, que estava supostamente sendo agredida pelo avô. Um morador de um condomínio vizinho resolveu gravar as cenas que ocorriam em um cômodo que dá para a varanda do apartamento. No momento da gravação, pessoas do condomínio vizinho gritavam pedindo que o homem parasse as supostas agressões.

A Polícia Militar foi acionada e o advogado saiu detido, levado dentro do carro da polícia. Enquanto ele era conduzido até o veículo da Polícia Militar pelas áreas comuns do condomínio, moradores deram vaias e o chamaram de "covarde".

Menino mora com o avô

O menino mora com o avô e uma tia, de 13 anos, no apartamento. Segundo o advogado do homem, Antônio Pimentel, uma empregada também mora no local. "O menino mora com o avô, que tem um termo de responsabilidade, porque foi abandonado pelos pais, sofreu maus-tratos, e o avô foi a única pessoa da família que o acolheu. O menino o chama de pai, de tão exemplar que ele é, e ele disse que está arrependido pelo fato, que foi a primeira vez que aconteceu."

Segundo Pimentel, seu cliente foi vítima de armação de moradores do condomínio que seriam inadimplentes e não gostam dele. Entretanto, as imagens foram feitas do condomínio vizinho, que não tem relação com Cavalcante.

Vizinhos relataram ao UOL que esta não é a primeira vez que o menino é supostamente surrado pelo avô e que "a criança ficava sozinha em casa em muitas ocasiões". Uma vizinha afirmou que já havia ouvido o garoto apanhar outras vezes, mas que ontem tiveram coragem de filmar e acionar a polícia.

O Conselho Tutelar acompanhou a prisão de Cavalcante e entregou o menino, provisoriamente, a um parente, até ocorrer decisão da Justiça sobre a guarda da vítima.

O menino fez exame de corpo de delito do Instituto Médico Legal de Maceió. O laudo vai ficar pronto em até dez dias e será anexado ao inquérito.

Ao sair da Central de Flagrantes 1, Cavalcante não falou com a imprensa. Entretanto, ao ser fotografado pela reportagem, o advogado dele segurou o braço da repórter do UOL, perguntou seu nome e o meio de comunicação que trabalhava, na tentativa de intimidar. Antes disso, a repórter havia conversado com o advogado, identificando-se, para colher a versão do preso. Pimentel tentou pegar o telefone celular para apagar a imagem, mas não conseguiu. Policiais viram a cena e nada fizeram. Cavalcante fez uma foto da repórter dizendo que iria tomar "providências".

Outro lado

O advogado Antônio Pimentel, que faz a defesa de Cavalcante, negou que já tenham ocorrido outras agressões do avô contra a criança, como fora relatado pelos vizinhos do prédio, que moram em outro condomínio. Segundo ele, a criança é "rebelde" e o cliente dele, como avô, "está no papel de educar." "Ele é um senhor de 62 anos e tem a forma dele de educar a criança, que foram tapinhas, tudo dentro normal".

Durante a entrevista, o advogado Antônio Pimentel disse que "as imagens não condizem com a realidade".

Cavalcante atua como advogado do condomínio em que mora. Em contato com a administração do condomínio, o UOL foi informado que o síndico não havia chegado ainda e que só iriam se posicionar sobre a medida que será tomada com ele quando o síndico chegasse. A reportagem deixou os contatos e até a publicação deste texto ninguém retornou.

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