Mulher é presa em Ilhéus (BA) acusada de aplicar golpes em homens argentinos pela web

Heliana Frazão
Do UOL, em Salvador

Está presa em Ilhéus (460 km de Salvador), no sul da Bahia, uma mulher de 56 anos acusada de aplicar golpes através da internet. Ivonete da Rocha Klein se passava por mulheres bem mais jovens, bonitas e ricas em uma rede social de relacionamentos com o objetivo de seduzir homens, preferencialmente argentinos e bem-sucedidos financeiramente.

Foi assim que ela conseguiu chamar a atenção do músico argentino Alfredo Valentim, de 62 anos, natural de Florenço Varella. Após iniciar um relacionamento virtual, ele se mostrou apaixonado, e Ivonete o convenceu a viajar até a cidade baiana para que pudessem se conhecer pessoalmente.

Assim que chegou à Bahia, Alfredo deparou com a Ivonete real e percebeu que havia caído em um golpe. Ainda assim aceitou ir até a casa dela, numa localidade conhecida como Barro Preto, onde foi mantido em cárcere privado por cerca de duas semanas. A mulher se apossou de todos os seus documentos e dinheiro (cerca de R$ 2.800 em pesos e dólares).

Na delegacia, o argentino contou que não chegou a passar fome, mas afirmou que, com o passar dos dias, o alimento tornou-se mais escasso. Além disso, ele não podia se comunicar com outras pessoas, nem mesmo através de ligações telefônicas.

Para manter o silêncio da vítima, Ivonete fazia terrorismo psicológico, argumentando que ele estava ilegal no Brasil e, caso fosse descoberto, seria preso. Dizia também que a polícia brasileira é muito violenta. Temeroso, Alfredo ele se manteve calado.

Interpol

As desconfianças surgiram quando a golpista entrou em contato com a família dele, por não conseguido trocar os pesos e dólares por reais. Ela também queria um valor maior.

Desconfiada, uma das filhas do músico entrou em contato com o consulado argentino na Bahia e com a Interpol, pedindo informações sobre as circunstâncias em que o pai estaria vivendo na Bahia. A partir de então a polícia passou a monitorar o telefone da golpista.

A polícia acredita que Ivonete agia sozinha, usando nomes fictícios. Entretanto, já sabe que outros dois argentinos também caíram no mesmo golpe no início do ano.

"Estamos investigando para saber se existem mais vítimas e há quanto tempo ela vinha aplicando esses golpes. Já temos algumas pessoas que a viram em companhia de homens estrangeiros", disse o delegado Irineu Andrade. Ivonete responderá por cárcere privado e extorsão.

 

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