Funcionários do Metrô e da CPTM cogitam greve e liberação de catracas na quarta-feira em SP

Janaina Garcia
Do UOL, em São Paulo

Depois da ameaça feita por trabalhadores do Metrô, agora é a vez de funcionários da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) prometerem não apenas greve para a próxima quarta-feira (23), como também a possibilidade de liberação das catracas aos usuários.

No caso dos funcionários do Metrô, a decisão sobre paralisação ou não dos serviços será apreciada amanhã (22) em uma assembleia marcada para as 18h30 na sede do sindicato dos metroviários, no Tatuapé (zona leste). Já pela CPTM, a greve foi aprovada na última sexta-feira (18) pelos trabalhadores das linhas 11-coral (Luz/Estudantes) e 12-safira (Brás/Calmon Viana).

Segundo um dos diretores do sindicato dos Trabalhadores da Central do Brasi --que representa as linhas 11 e 12 da companhia --, Emanuele Oliveira, desde 1º de março foram cinco tentativas de negociação, sem sucesso. De acordo com a dirigente, as duas linhas representam cerca de 1.700 dos mais de 6.000 funcionários de toda a rede.

"A assembleia já aprovou a greve. Como a CPTM recorreu ao TRT [Tribunal Regional do Trabalho], a proposta é continuarmos trabalhando e liberar as catracas, se pudermos exercer nosso direito, ou cruzar os braços e suspender de vez os trabalhos", disse, lembrando que, amanhã, às 19h, uma nova assembleia analisará eventual proposta que venha da empresa.

A categoria pede plano de carreira, hoje inexistente, melhores e mais amplas condições de segurança aos trabalhadores –"desde o início do ano, tivemos cinco funcionários mortos atropelados por trens, isso é um absurdo", diz a diretora-- e reajustes:  a CPTM ofereceu 4,35% de reposição e 0,5% de aumento real e subiu a proposta para 6%, ao todo. Os trabalhadores pediam 10,85%, mas fecharam a proposta, não aceita, de 7%.

Já os funcionários das linhas 7-rubi (Jundiaí/Luz) e 10-turquesa (Brás/Rio Grande da Serra), com as mesmas reivindicações, definem na quarta (23), em assembleia marcada para as 16h, se entram em greve ou não. A informação é do Sindicato dos Ferroviários de São Paulo, que representa os trabalhadores das duas linhas.

Pelas linhas 8-diamante (Amador Bueno/Júlio Prestes) e 9-esmeralda (Osasco/Grajaú), o Sindicato Ferroviário da Zona Sorocabana informou que a possibilidade de greve será discutida em assembleia amanhã (22) às 17h.

A reportagem fez contato com a assessoria de imprensa da companhia, que ainda não se manifestou sobre o assunto.

Catracas liberadas no metrô

Pelo sindicato dos metroviários de São Paulo, a proposta de liberação de catracas ganhou força hoje entre a categoria por meio de uma carta aberta distribuída à população.

Conforme o diretor de relações intersindicais da entidade, Alexandre Carvalho Leme, no entanto, a medida seria adotada "apenas em comum acordo com o Metrô, e no caso de os trabalhadores não pararem". A proposta será debatida amanhã em uma audiência de conciliação e instrução entre as partes, no TRT, onde o Metrô ingressou, na última sexta, uma medida cautelar para que 100% do serviço seja mantido. O encontrou foi confirmado pelo Tribunal e acontece às 14h45.

"Vamos discutir os termos da paralisação. Mas, se houver liminar contra a greve exigindo 100% de funcionamento, evidentemente que isso atentará contra o direito de greve", definiu o diretor. Leme admitiu, porém, que, se o Metrô não aceitar os termos da proposta, a decisão final sobre os rumos de uma eventual paralisação ficarão submetidos à decisão da assembleia.

Na ameaça de greve do ano passado, por exemplo, as chances de uma paralisação caíram por terra depois que uma liminar do TRT obrigou que 100% dos trabalhadores não parasse, durante os horários de pico, e 90% nos demais horários, sob pena de o sindicato arcar com multa diária de R$ 100 mil. Na assembleia, o ânimo da categoria, à época, era pela paralisação. Diante da ameaça de multa, os próprios dirigentes sindicais apontaram "falta de unidade" entre a categoria e retiraram de pauta a votação da greve.

Em nota divulgada na sexta, o Metrô informou que solicitaria ajuda da Polícia Militar em caso de liberação das catracas, a fim de garantir a segurança do usuário.

Indagado sobre eventual risco de tumultos sem o pagamento de tarifa, o dirigente sindical negou a possibilidade e disse que os funcionários "são treinados a agir em casos assim". "Temos procedimento para esse tipo de situação e restringiremos a entrada nas estações para controlar o fluxo manter o mesmo do dia a dia", resumiu Leme.

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