Turista foi estuprada 8 vezes em van, diz promotora após depoimento de francês

Hanrrikson de Andrade
Do UOL, no Rio

A promotora Márcia Colonese, responsável pela denúncia do caso do casal de turistas que foi sequestrado e agredido no Rio de Janeiro no dia 30 de março afirmou que a jovem norte-americana foi estuprada oito vezes enquanto estava em poder dos criminosos. Márcia participou, nesta terça-feira (9) de uma audiência de antecipação de provas na 32ª Vara Criminal do TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro), na qual o namorado da vítima prestou depoimento.

"Ele foi muito monossilábico. Ele estava sofrendo ali. Por incrível que pareça, apesar de eu ter experiência nesse tipo de crime, eu me senti muito emocionada, tanto pela menina quanto pelo rapaz", afirmou Márcia. "Não foram poucos estupros. Foram oito estupros, de todo jeito."

Veja o trajeto feito pela van no dia em que a turista foi estuprada

  • Arte UOL

Ainda de acordo com a promotora, o depoimento foi todo em francês, com a presença de uma tradutora, já que o jovem não domina bem a língua portuguesa. "Ele mal conseguia falar. Eu via, durante todo o tempo, constrangimento e a dor que ele estava sentindo de ter que repetir todos os atos sexuais que fizeram com a namorada dele", contou Márcia, acrescentando que eles namoram há seis anos.

O francês também reconheceu em juízo o terceiro suspeito preso, Carlos Armando Costa dos Santos, 21. "Ele reconheceu, de forma segura, tranquila, muito firme, para satisfação de toda a sociedade", disse a promotora.

Identificado quinto suspeito

Ainda de acordo com a promotora, o homem ao qual a turista norte-americana foi oferecida e que a recusou afirmando que ela estava "muito estragada" foi identificado. Ele seria um traficante de São Gonçalo, na região metropolitana do Rio, e teria participado de outros estupros de autoria do grupo.

Ao ver a moça, já abusada pelo trio, o homem teria feito cara de nojo. Depois que ele reclamou do estado da vítima, o grupo riu. "A participação dele não foi quase nada [nesse caso]. Ele chegou perto da van e viu. Falou alguma coisa e foi embora. Mas eu tenho certeza de que ele fez parte de vários outros estupros", afirmou a promotora. "Eles chegaram na favela e ofereceram a moça para que eles usassem ela sexualmente sob concessão de dinheiro, mas ele não quis. Ele riu e saiu."

Brasil nunca mais

Segundo a promotora, o jovem francês disse que nunca mais pretende retornar ao Brasil. "Ele está muito decepcionado com o nosso país, o que é lamentável", afirmou. A testemunha foi torturada pelos criminosos enquanto a namorada sofria abusos sexuais no banco de trás do veículo.

"A agressão ao francês foi terrível. Ele foi algemado e viu quase tudo. Bateram muito nele, no rosto, com uma barra de ferro", disse. "Ele disse que o menor era muito agressivo. Os três acusados batiam nele o tempo todo. Tapas, socos, todas as formas, principalmente no rosto."
 

Na segunda-feira (8), a Justiça aceitou a denúncia oferecida pela promotora Márcia Colonese contra Jonathan Foudakis de Souza, 20, Wallace Aparecido Souza Silva, 22, e Carlos Armando, apontados como autores do estupro e assalto ao casal de turistas. Eles foram acusados de estupro e atos libidinosos, extorsão, sequestro relâmpago, formação de quadrilha e corrupção de menores --um adolescente de 14 anos teria participado da ação. O menor foi apreendido no sábado (6).

Em depoimento, segundo a polícia, o adolescente negou ter participado dos estupros, mas afirmou ter agredido com uma barra de ferro o namorado da norte-americana para evitar que ele reagisse enquanto a namorada era estuprada pelos comparsas.

O casal pegou a van em que os criminosos estavam em Copacabana (zona sul) para ir à Lapa (região central) e no trajeto os criminosos anunciaram o assalto. Eles seguraram o casal, fizeram saques e compras com os cartões das vítimas, agrediram o rapaz e estupraram a garota.

Até agora, outras duas mulheres também acusam o bando de estupro: uma jovem de 18 anos (no Carnaval) e uma moradora de Saquarema, na região dos lagos (em 23 de março), que chegou a registrar o caso na Deam (Delegacia de Atendimento à Mulher), de Niterói, na região metropolitana do Estado.

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