Repórter da TV Folha é atingida no olho por bala de borracha durante protesto em SP

Do UOL, em São Paulo

  • Diego Zanchetta/Estadão Conteúdo

    Imagem reproduzida da página do Estadão mostra a repórter logo após ter sido atingida

    Imagem reproduzida da página do Estadão mostra a repórter logo após ter sido atingida

A repórter Giuliana Vallone, da TV Folha, foi atingida no olho por uma bala de borracha disparada por policiais militares da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) enquanto cobria o protesto contra o aumento das tarifas em São Paulo. Ela foi hospitalizada.

Outro repórter da Folha, Fábio Braga, também foi atingido no rosto por disparos de bala de borracha no centro da cidade. Giuliana subia a rua Augusta registrando o protesto quando foi atingida

Ela disse a repórteres que estava em um estacionamento na rua Augusta quando uma viatura da Rota se aproximou em baixa velocidade e um PM que estava no banco de trás atirou contra ela. Segundo a Folha, no total sete repórteres foram atingidos por policiais.

"A Folha repudia toda forma de violência e protesta contra a falta de discernimento da Polícia Militar no episódio", afirmou Sérgio Dávila, editor-executivo do jornal, salientando que os "sete estavam identificados como profissionais de imprensa".

Repórteres do Estadão afirmaram também ter sido vítimas de agressões da Rota. De acordo com a reportagem do jornal, um carro da corporação se aproximou deles e disparou bombas de gás lacrimogêneo tentando acertá-los. Eles afirmaram que neste momento não havia concentração de manifestantes quando foram atingidos.

Protestos contra o aumento da tarifa do transporte coletivo
Protestos contra o aumento da tarifa do transporte coletivo

O Secretário de Segurança Pública de SP, Fernando Grella, afirmou em nota que determinou que a Corregedoria da Polícia Militar apure episódios envolvendo fotógrafos e cinegrafistas durante a manifestação.

Jornalista foi preso por portar vinagre

O jornalista Piero Locatelli, detido no final da tarde pela Polícia Militar e conduzido à delegacia por carregar vinagre durante o protesto contra o aumento da tarifa em São Paulo, foi liberado por volta de 19h desta quinta-feira (13). Ele é repórter de política da revista 'Carta Capital' e estava cobrindo o protesto.

Análises

"Por mais justo que seja baratear a tarifa, suas vantagens são questionáveis se for para ter menos, mais lentos, precários e superlotados serviços de transporte coletivo" Leia mais
"Tudo se resume em utilizar táticas e arsenal"não letal"para controlar de modo pacífico um distúrbio. O policial tem que ter antes de tudo disciplina, e o policial que quase foi linchado é um perfeito modelo disso" Leia mais
"Alguém acha que a realidade vai mudar apenas com protestos online ou cartas enviadas ao administrador público de plantão? Desculpe quem tem nojo de gente, mas protesto tem que mexer mesmo com a sociedade, senão não é protesto" Leia mais

A polícia deteve o jornalista e também manifestantes que estavam com vinagre com o argumento de que o produto pode ser utilizado para fabricar bombas. O vinagre é comumente usado em manifestações para aliviar os efeitos do gás lacrimogêneo jogado pela polícia.

Além de Piero, dezenas de manifestantes foram detidos no protesto contra o aumento da tarifa

Em nota, a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) condenou a prisão do jornalista, que é associado do órgão. Em contato com a redação da revista, Piero afirmou que os agentes se negaram a dizer para onde ele seria levado.

O repórter esteve na delegacia dos Jardins com outros manifestantes. Outro profissional da imprensa também chegou a ser detido: o fotógrafo Fernando Borges, do Terra, passou 40 minutos com as mãos nas costas e de frente para uma parede, mas já foi liberado. A Abraji pediu que o repórter Piero Locatelli fosse posto em liberdade para que pudesse continuar cobrindo a manifestação e lamentou que a "polícia novamente impeça o trabalho da imprensa", dizia o comunicado.

A associação afirmou que Piero foi preso por levar vinagre na mochila. A substância alivia os efeitos do gás lacrimogêneo, mas a polícia alega que vinagre pode ser usado na confecção de bombas. Por volta de 19h15, a direção da revista informou, via Twitter, que ele havia sido solto.

O capitão da PM Elço Moreira contou à reportagem que os detidos estavam com coquetéis molotov, facas e maconha. Eles estão sendo encaminhados o 78º DP (Jardins).

A reportagem do UOL presenciou confronto entre policiais e manifestantes na esquina da rua Líbero Badaró e o viaduto do Chá, no centro. Jovens chegaram a jogar cones de sinalização contra os PMs.

Pessoas que passam pelas proximidades do Theatro Municipal, no centro, estão tendo as bolsas e mochilas revistadas por policiais militares. O local é o ponto de concentração do protesto.

Farmácias, lojas de calçados e de roupas próximas à praça Ramos de Azevedo estão fechando as portas, os comerciantes temem ter estabelecimentos danificados durante o protesto.

Mais jornalistas presos

Um vídeo divulgado nas redes sociais mostra um jornalista do site Portal Aprendiz, parceiro do UOL, sendo agredido e preso por policiais militares durante o protesto contra o aumento do preço das passagens de ônibus, metrô e trem em São Paulo, nesta terça-feira (11).

Um cinegrafista amador flagrou o momento em que policiais começam a bater no repórter. A jovem Johanna Jaumont assistiu às imagens e não tem dúvidas que se trata do seu namorado, Pedro Ribeiro Nogueira, 27. De acordo com a namorada do jornalista, sete PMs agrediram o jovem. "Bateram muito nele. Ele está com ferimentos no rosto, nas costas", fala.

O protesto em imagens

  • 'Lincha, mata', ouviu policial apedrejado

  • Estação da av. Paulista tem vidro quebrado

  • Policial dispara bomba contra manifestantes

  • Jovens que protestavam depredam ônibus

  • Manifestantes se ajoelham diante de PMs

O jornalista foi detido e levado para o 78º DP (Jardins), onde foi autuado em flagrante por formação de quadrilha, por provocar incêndio e por dano contra o patrimônio. Ele não teve direito a pagar fiança. Na manhã desta quarta-feira (12), ele foi transferido para o 2º DP (Bom Retiro).

Por meio de nota, a SSP (Secretaria de Segurança Pública) informou que o delegado que indiciou o jornalista considerou que ele teve participação nos "atos de vandalismo". "A convicção jurídica do delegado se baseia em depoimentos de policiais que avistaram o rapaz danificando uma viatura e uma guarita policial", diz a nota. A SSP esclareceu que cabe agora à Justiça decidir se ele deve ou não ser colocado em liberdade.

Além de Pedro, o repórter da Folha Leandro Machado e o fotógrafo do UOL Leandro Moraes foram detidos quando cobriam a manifestação na avenida Paulista. Eles também foram levados para o 78º DP em um carro da PM e liberados após uma hora. O repórter Fernando Mellis, do portal R7, foi agredido por policiais durante o protesto.

A Abraji também condenou a agressão e as prisões. "A associação considera preocupante que esta ação contrária ao trabalho da imprensa parta do Estado, e justamente da PM, mandada à rua para manter a ordem e garantir direitos", afirmou em nota.

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