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PM de folga invade apartamento e agride mulheres com cassetete em SC

Rafael Krieger

Colaboração para o UOL, em Florianópolis

04/08/2020 18h29

Quatro mulheres que comemoravam a entrega de um trabalho de conclusão de curso da faculdade tiveram o apartamento onde moram invadido por volta das 22 horas de ontem. Incomodado com o barulho da celebração, um vizinho, acompanhado da mulher, foi até a residência e usou um cassetete contra as moradoras. Ele foi identificado como policial militar. O caso aconteceu em Lages, a 227 quilômetros de Florianópolis, capital de Santa Catarina.

No vídeo, o oficial aparece usando o cassetete para bater na mesa das vizinha: "Eu quero essa filmagem amanhã", diz. Ao mesmo tempo, a mulher dele avança contra uma das moradoras para pegar o celular dela. Outra pessoa, mais afastada, filmou toda a ação do casal.

O policial e a esposa então arrastam uma das moradoras até a porta. É neste momento que começam as agressões com o cassetete. Uma das vítimas postou nas redes sociais fotos de marcas nas costas e nos braços — uma delas teve até o rosto atingido. "Eu fui uma das únicas que não apanhei e consegui ligar para polícia, mas foi desesperador", postou no Twitter.

Polícia investiga o caso em SC

Foi registrado um boletim de ocorrência e o 6º Batalhão de Polícia Militar de Lages divulgou um comunicado anunciando a instauração de um procedimento correcional para averiguar o caso.

Na nota de esclarecimento, a corporação confirmou que o agressor é policial militar, mas sustentou que as ações ocorreram "fora do âmbito profissional", pois ele estaria afastado por ser do grupo de risco da covid-19. "A Instituição afirma tratar-se de fato isolado que não condiz com a formação e a preparação dos policiais militares catarinenses", afirma a nota.

Outra versão

O policial envolvido na agressão não atendeu a reportagem do UOL. Uma mensagem atribuída à filha do oficial foi divulgada nas redes sociais, mas foi apagada na sequência. O post alega que as moradoras teriam provocado o vizinho tocando a música tema do Proerd (Programa Educacional de Resistências às Drogas e à Violência), onde ele trabalha.

Ele então teria ligado para as vizinhas pedindo "para que parassem de provocar" e "com a algazarra". A mensagem diz ainda que o policial "em nenhum momento bateu" nas mulheres e alega que ele tentou dialogar com as jovens, mas que elas revidaram sendo debochadas. "Meu pai é cardíaco, não pode se estressar, então vocês acham que a confusão aconteceria por pouca coisa?", conclui a publicação.