"Sexo seguro é ainda a melhor prevenção a Aids", diz médico

Lilian Ferreira
Do UOL, em São Paulo

O medicamento para prevenir a Aids aprovado pelo órgão regulatório dos Estados Unidos não é totalmente seguro e ainda pode ter efeitos colaterais de longo prazo. Além disso, o infectologista José Valdez Madruga, responsável pela área de pesquisa clínica de novos medicamentos do Programa Estadual de DST/ Aids de São Paulo, não acredita na popularização do Truvada para este fim.

@saúde fala sobre prevenção da Aids

  • Novos métodos ajudam a prevenir contágio por HIV

O médico ressalta que o medicamento não é vendido no Brasil. "O Truvada é um composto de emtricitabina e tenofovir, e o laboratório não pediu a aprovação no Brasil de um dos remédios presentes. Temos aqui só um 'primo consanguíneo' da emtricitabina, o lamivudina, que poderia ser usado na prevenção", explica.

"É importante deixar claro que a pesquisa, na qual foi baseada a aprovação do remédio para prevenção, não mostra 100% de eficácia. A principal prevenção ainda é o sexo seguro com preservativo. O medicamento diminuiu as infecções, mas também houve infecção", destacou Madruga. Assim, para ele, o medicamento não deve ser usado em larga escala como prevenção.

O infectologista lembra que o Truvada possui efeitos colaterais de longo prazo como a perda óssea, com osteopenia e osteoporose, e alteração da função renal. Também por isso, seu uso é indicado apenas para pessoas com comportamento de risco.

Para ter acesso ao remédio no Brasil é preciso importá-lo, com receita, e, segundo o médico, o preço passa de 1 mil dólares por mês. "Para funcionar, o remédio deve ser usado pelo parceiro ou parceira da pessoa contaminada com o HIV diariamente, e ainda assim não é 100% de sucesso. É a chamada profilaxia pré-exposição".

O remédio, um antirretroviral, age na enzima transcriptase reversa, que combate o vírus circulante e evita que ele entre na célula do indivíduo em caso de contaminação.

Madruga lembra de um recente estudo da Suíça em que homens tinham carga viral zerada no sangue, mas que apresentavam um percentual de 10% de vírus no líquido seminal. "Este é mais um fator preocupante para a liberação do sexo só com o antirretroviral".

Pesquisas de prevenção da Aids com antirretrovirais usados no tratamento da doença são comuns na área. Esta foi a primeira vez que a Agência Federal de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos, a FDA, aprovou um medicamento para prevenção da Aids.



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