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Nº de mortes por covid volta a acelerar; casos disparam 22% em uma semana

Brasil voltou a registrar aumento expressivo de casos de covid-19 na última semana epidemiológica - Michael Dantas/AFP
Brasil voltou a registrar aumento expressivo de casos de covid-19 na última semana epidemiológica Imagem: Michael Dantas/AFP

Do UOL, em São Paulo

24/06/2020 19h08Atualizada em 24/06/2020 20h53

O Brasil voltou a registrar uma aceleração nas mortes por covid-19 e teve um disparo de 22% no número de novos casos da doença na última semana epidemiológica medida pelo Ministério da Saúde. De acordo com dados divulgados hoje em entrevista coletiva no Planalto, o país teve 7.256 óbitos registrados no período entre 14 e 20 de junho.

Na semana anterior, tinham sido 6.790 mortes, o que representa agora um aumento de 7%. Além disso, os dados do período anterior mostravam a primeira baixa no registro semanal de vítimas fatais por coronavírus, uma queda de 4% em relação à semana epidemiológica que compreendia os dias entre 31 de maio e 6 de junho (7.096 mortes).

Com mais velocidade, aumentaram também os casos de covid-19 no país. No período entre 14 e 20 de junho foram 217.065 novos diagnósticos da doença no Brasil. Um aumento de 22% em relação à semana anterior, quando os casos ficaram em 177.668. Ainda não houve uma semana de queda, mas o ritmo vinha cedendo. O crescimento era de 2% há uma semana, e tinha sido de 15% no recorte anterior.

A mudança da curva vem uma semana após o Ministério da Saúde falar em "estabilização" dos casos. Na ocasião, o secretário de Vigilância da Pasta, Arnaldo Correia, chegou a dizer que os dados davam "a entender que nós estamos entrando em um platô" e que "a inclinação da curva se encaminha para a estabilidade."

Hoje, o secretário repetiu que aquela era a expectativa. "Parecia que a curva estava chegando a um certo platô entre a semana 24 e a semana 25, mas tivemos um aumento de 22%", disse Correia.

A interiorização foi outro fenômeno confirmado pelos números do Ministério da Saúde. Em um período de dez semanas, a distribuição de casos de covid-19 no país saiu de um 65% x 35% para as capitais para um cenário quase inverso agora. 60% dos diagnósticos novos foram registrados em cidades do interior, contra 40% nas capitais. As novas mortes estão praticamente divididas em 50% atualmente.

A região Norte apresentou redução de 4% nos casos e 27% em novas mortes na última semana. O Nordeste teve aumento de 14% nos diagnósticos, mas queda de 11% nos óbitos. Nos estados do Sudeste, o aumento foi expressivo: 26% em casos e 30% em mortes.

Mas as regiões Sul e Centro-Oeste mostraram dados mais alarmantes. No primeiro caso, houve aumento de 76% nos casos e 46% nas mortes. Já no segundo, o aumento de mortes foi de 59%, com 98% a mais de diagnósticos novos de pacientes infectados pelo coronavírus, praticamente dobrando o número total de vítimas fatais em uma semana, confirmando dados que já haviam sido publicados pelo consórcio de veículos de imprensa do qual o UOL faz parte.

O diretor de Análise em Saúde e Vigilância do Ministério da Saúde, Eduardo Macário, atribuiu o aumento de casos à mudança de estações e pediu atenção aos estados.

"O inverno começou agora na região Sul, Sudeste e Centro-Oeste, e coincidiu com o aumento no número de casos notificados e confirmados de covid-19 nessa região. Então a gente imagina que, aliado a isso tudo, a transição epidemiológica está ocorrendo no Brasil, o que aumento o alerta do Ministério da Saúde para os estados que ainda vivenciaram o que o Norte e Nordeste vivenciaram nos últimos meses que redobrem sua atenção e que a população busque se proteger o máximo possível", afirmou.