A arriscada manobra de 35 minutos que decidirá o futuro da sonda rumo a Júpiter

Jonathan Amos - BBC Science Correspondent

  • Richard Vogel/AP

Depois de uma jornada de quase cinco anos, a sonda Juno, da Nasa, está cada vez mais próxima de Júpiter - com o objetivo de justamente aprender mais sobre como foi formado o maior planeta de nosso Sistema Solar.

Para conseguir fazer com que a sonda entre na órbita do planeta, os cientistas da Nasa planejam uma manobra delicada: reduziram a potência dos motores de Juno para que a sonda possa ser puxada para a órbita.

Cada hora que passa é determinante para o sucesso da missão, mas o momento crítico será a partir os 35 minutos que começam às 3h18 (GMT) desta terça-feira (0h18 de Brasília).

Será nesse momento que a Juno precisará executar uma manobra de frenagem perfeita para entrar em órbita, o que deverá deixar os nervos à flor da pele de todos os que estão no centro de controle de missão no Laboratório de Propulsão a Jato (JPL, na sigla em inglês), na Califórnia.

Se a execução ocorrer com perfeição, a sonda passará os próximos 18 meses analisando o que ocorre abaixo das espessas nuvens de Júpiter.

Mas se a Juno não conseguir fazer a manobra, pode ser o fim da missão de US$ 1,1 bilhão lançada ao espaço em 5 de agosto de 2011.

Para piorar a ansiedade entre os controladores da missão, durante o tempo da manobra de frenagem Juno não terá sua antena principal apontada para a Terra. Isso quer dizer que a equipe da missão só poderá seguir os eventos por intermédio de uma série de sons simples que serão enviados pelas antenas menores da sonda.

E é bom lembrar que Júpiter é uma esfera gasosa que já foi descrita por especialistas como "um monstro que gira a tal velocidade que faz com que sua gravidade lance pedras gigantes, cometas e raios cósmicos para fora".

Nasa divulga imagens inéditas da aurora boreal de Júpiter

  •  

Segredos de Júpiter

Se tudo der certo para a sonda, Juno deverá orbitar Júpiter para tentar descobrir do que o planeta gigante é feito e como ele foi formado.

A missão visa descobrir se há um núcleo sólido ou se os gases simplesmente se comprimem em um estado mais denso no centro do planeta.

A missão também deve fazer novas descobertas sobre a Grande Mancha Vermelha - a tempestade colossal que já dura centenas de anos no planeta. Juno deverá esclarecer qual a profundidade desta tempestade.

O principal pesquisador do projeto é Scott Bolton, do Instituto de Pesquisas do Sudoeste, no Estado americano do Texas. Ele afirma que mal pode esperar para começar as análises, mas também está cauteloso quanto a um voo tão próximo do maior planeta do Sistema Solar.

"Tudo a respeito de Júpiter é extremo; é (como se fosse) um planeta que tomou esteroides", disse o cientista à BBC. "Tem a radiação mais forte de qualquer ambiente planetário de todo o Sistema Solar; tem o campo magnético mais forte; está girando incrivelmente rápido. Temos que lidar com esse ambiente. e a espaçonave é literalmente um tanque blindado".

ESO/L. Fletcher
Imagens infravermelhas de Júpiter, o maior planeta do Sistema Solar

11 vezes maior que a Terra

Júpiter é 11 vezes maior do que a Terra e tem 300 vezes a massa de nosso planeta. O planeta precisa de 12 anos terrestres para completar uma volta em torno do Sol, mas um dia em Júpiter é equivalente a apenas dez horas na Terra.

A composição do planeta lembra a de uma estrela: a maior parte é hidrogênio e hélio. Sob pressão, o hidrogênio se transforma em um fluido condutor de eletricidade.

A maior parte das nuvens na parte de cima tem amônia e sulfeto de hidrogênio, e as "faixas" visíveis no planeta são criadas por ventos fortes soprando do leste para o oeste.

Tudo isto significa que, mesmo que Juno consiga realizar a manobra, as preocupações não acabam: a sonda vai entrar em um ambiente hostil e desconhecido.

'Armadura'

Para enfrentar esse desafio, a sonda Juno carrega seus elementos eletrônicos mais sensíveis e sistemas de controle dentro de uma caixa de titânio de paredes espessas.

A engenheira do JPL Heidi Becker afirmou que o sucesso da missão vai depender totalmente da proteção que a sonda Juno recebe de sua "armadura".

"(Sem isso) Juno enfrentaria uma radiação de mais de 20 milhões de rads, que é como se um ser humano fizessem cerca de 100 milhões de radiografias dentais em pouco mais de um ano", afirmou.

Mas a sonda da Nasa só conseguirá obter os dados que os astrônomos querem orbitando a 5 mil quilômetros acima da capa de nuvens, apenas chegando mais perto de Júpiter.

Uma das buscas mais importantes de Juno será determinar a abundância de água na atmosfera, um indicador de quanto oxigênio havia na região do Sistema Solar onde Júpiter estava quando se formou.

A entrada em órbita da sonda colocará Juno em uma grande elipse em volta do planeta, que deve precisar de cerca de 53 dias para completar uma volta inteira.

No meio do mês de outubro, deve ocorrer uma segunda frenagem da sonda para diminuir a órbita para apenas 14 dias. E é a partir daí que as grandes descobertas devem começar.

A Nasa planeja continuar com essa missão até fevereiro de 2018.

O controle na Terra então dará ordens para que a Juno encerre suas operações e caia na atmosfera do planeta.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos