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Jamil Chade


OMS apela para que Brasil e países tomem ações decisivas para impedir surto

Reuters
Imagem: Reuters
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

27/02/2020 11h26

Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, pede que o Brasil e outros países que acabam de registrar novos casos do coronavírus atuem de forma "decisiva" para frear uma proliferação da doença. Conforme o vírus ganha novos países e gerando um enorme impacto econômico, a OMS eleva o tom de seu alerta e deixa muito claro: a comunidade internacional está em um ponto crítico da luta contra a epidemia.

Nesta semana, o primeiro caso confirmado do vírus foi registrado no Brasil. Numa coletiva de imprensa em Genebra, o diretor da agência de Saúde deixou claro que sua equipe ficou "decepcionada" diante do primeiro caso na América Latina, registrado no Brasil. Mas, para a OMS, o país tem experiência suficiente para lidar com surtos e capacidade de dar resposta ao desafio.

Em Genebra, um dos responsáveis pela operação da OMS no caso do coronavírus, Michael Ryan, revelou que já estava em contato com o escritório da entidade para as Américas e que uma ajuda ao Brasil já estava sendo realizada. Segundo ele, haverá um debate se uma equipe internacional precisará ser enviada.

"Esses países têm uma janela de oportunidade e precisam usá-la", declarou Tedros. Para ele, o surto está em um "momento decisivo". "O surto pode ir a qualquer direção, dependendo de como lidamos", disse. Ele garante, porém, que o vírus pode ser contido. "Mas se não fizermos as coisas certas, ele pode sair do controle", insistiu.

"Essa janela está ficando cada vez mais estreita", alertou. "Essa é sua janela de oportunidade. Se vocês agirem agressivamente agora, vocês podem conter esse vírus e evitar que pessoas fiquem doentes e salvarem vidas", completou.

Além do Brasil, a semana viu casos sendo confirmados na Noruega, Paquistão, Romênia, Suíça, Grécia e outros países. Para a OMS, o momento é de agir rapidamente. Para Tedros, a preparação de um país é o que vai determinar se uma comunidade terá "um caso ou cem casos".

Pela primeira vez, Tedros indica que já existem mais novos casos do vírus registrados fora da China que no país asiático. Mas insistiu que não se trata de "entrar em pânico". A entidade estima que não parece haver uma transmissão ampla e indicou que, com medidas certas, a contenção é possível. "Muitos fizeram isso e já estão duas semanas sem casos, como Índia, Nepal, Rússia ou Bélgica", afirmou. De acordo com Tedros, 90% dos casos resulta apenas em febre e 70% em tosse.

Apesar de o caso ocorrer agora num país tropical, como o Brasil, a OMS indicou que não uma mudança na estratégia e insistiu que todos os países devem estar preparados para um eventual primeiro caso.

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Jamil Chade