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Covid em comitiva do Brasil assustou equipe de Trump após jantar, diz livro

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante jantar na Flórida - Rodrigo Constantino/Jovem Pan
O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante jantar na Flórida Imagem: Rodrigo Constantino/Jovem Pan
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Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

15/09/2020 13h19Atualizada em 15/09/2020 17h14

Resumo da notícia

  • Casos positivos da covid-19 em delegação de Bolsonaro são citados em trecho do livro de Bob Woodward, Rage (Simon & Schuster)

O livro de Bob Woodward, "Rage" (Simon & Schuster), lançado nesta terça-feira sobre os bastidores do governo de Donald Trump cita o presidente Jair Bolsonaro em apenas uma ocasião em quase 500 páginas. E justamente como uma preocupação à Casa Branca.

De acordo com o autor do livro, assessores do governo ficaram preocupados diante dos casos positivos da covid-19 entre a delegação do presidente brasileiro que visitou Trump, em março de 2020 na Flórida.

"O presidente brasileiro Jair Bolsonaro, um nacionalista usuário do Twitter e que Trump havia rotulado "Trump of the Tropics", estava na Flórida no início de março e queria ir a Mar-a-Lago para ver o Trump", escreveu Woodward.

"O Conselheiro de Segurança Nacional, Robert O'Brien, estava limitando as visitas estrangeiras ao presidente porque parecia que o vírus estava se tornando uma preocupação nos Estados Unidos" apontou.

"Foi feita uma exceção para Bolsonaro. Foi organizada uma fotografia conjunta (entre Bolsonaro e Trump), mas ela se transformou em um jantar para a noite de sábado, 7 de março", escreveu.

"Trump e Bolsonaro sentaram-se à mesa com O'Brien, Ivanka, Kushner e alguns dos outros brasileiros que viajavam com Bolsonaro. O'Brien foi mais tarde notificado de que três dos brasileiros na mesa, mas não Bolsonaro, deram positivo para a covid- 19", disse.

"Depois que isto se tornou público, Bolsonaro minimizou o vírus como parte de uma "fantasia". O'Brien teve uma reação inteiramente diferente. Ele temia ser uma nota de rodapé histórica como a pessoa responsável por expor Trump ao vírus ou passá-lo diretamente a ele. Ele passou muito tempo com Trump. Não havia muito de testes disponíveis na época, mas ele arranjou para ser testado. Deu negativo. Mais tarde, Bolsonaro testou positivo. O vírus estava começando a tornar-se real", destaca o autor do livro.

Já Trump, dois dias depois, continuaria com uma postura pública de negar a gravidade do vírus. Nas redes sociais, no dia 9 de março, ele insistiria que nada iria fechar nos EUA e que a gripe comum tinha matado 27 mil pessoas em 2019. Naquele momento, eram apenas 22 mortos pelo coronavírus nos EUA. "Pense nisso", escreveu Trump.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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