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Bolsonaro transforma seu trono em cadeira elétrica

Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

17/03/2020 15h19

Jair Bolsonaro conseguiu ressuscitar dois vocábulos tóxicos da política: impeachment e renúncia. Retornaram ao noticiário pelas mãos de dois ex-apoiadores: Alexandre Frota (impeachment) e Janaína Paschoal (renúncia). As investidas não devem prosperar. O risco que Bolsonaro corre é outro: o isolamento político.

Confinado na bolha que gravita ao redor de suas redes sociais, Bolsonaro governa para um gueto. Seu futuro político está condicionado ao desempenho da economia. Em 2019, sem coronavírus, entregou um pibinho de 1,1%. Para 2020, com coronavírus e "soberbavírus", corre o risco de produzir um resultado ainda mais medíocre.

Nos subúrbios do governo, pessoas que sabem fazer conta começam a observar a economia nacional como quem tem antevisão de um buraco. Num ambiente assim, Bolsonaro tende a transformar a poltrona de presidente numa cadeira elétrica. Talvez chegue a 2022 bem tostado.

Resta-lhe um consolo: na oposição, a única novidade é a conversão de Lula de ex-presidiário em turista internacional.

Josias de Souza