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Elogio de Flávio Bolsonaro a Wassef exala medo

Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

22/06/2020 04h53

Formalmente, Frederick Wassef pediu para sair da defesa de Flávio Bolsonaro. No mundo real, ele foi retirado do caso porque ficou mais próximo da condição de investigado do que da posição de advogado.

Sob holofotes, o doutor insinua que Flávio e Jair Bolsonaro não sabiam que Fabrício Queiroz estava guardado num simulacro de escritório advocatício, em Atibaia. Os encontros no escurinho do Alvorada sugerem a hipótese de uma lambança compartilhada.

Em declarações enfileiradas desde sábado, após um ensaio de três dias, Wassef se diz vítima de uma "armação". E encosta sua turbulenta figura na imagem do capitão: "Se bater no Fred atinge o presidente. Eu e o presidente viramos uma pessoa só."

Num mundo regido pela lógica, a família Bolsonaro, sempre em pé de guerra, estaria torpedeando Wassef. Mas Flávio sorriu para o doutor numa nota 100% feita de elogios.

"A lealdade e a competência do advogado Frederick Wassef são ímpares e insubstituíveis", escreveu o Zero Um. "Contudo, por decisão dele e contra a minha vontade, acreditando que está sendo usado para prejudicar a mim e ao presidente Bolsonaro, deixa a causa mesmo ciente de que nada fez de errado."

As palavras de Flávio Bolsonaro são tão sinceras quanto o medo. Além de adular o preso Fabrício Queiroz, a primeira-família passa a mimar o advogado que gruda seu destino no futuro do presidente. "Viramos uma pessoa só."

A nota do primogênito revela que o medo tem muitos olhos. Consegue enxergar o insondável nas entrelinhas.

Josias de Souza