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DiCaprio é supervilão em nova produção de Bolsonaro

Maurício Ricardo

Maurício Ricardo é jornalista, cartunista e empresário no segmento da Educação. Formado em História, é um dos produtores pioneiros de conteúdo multimídia para a Internet brasileira. É criador do premiado site de animações Charges.com.br, lançado em fevereiro de 2000. Em 2019 migrou suas análises políticas, no formato vlog, para o canal de YouTube "Fala, M.R.". Lá, compartilha suas visões sobre política, cotidiano, música e tecnologia, que ganham também versões em texto nesta coluna.

Colunista do UOL

29/11/2019 19h12

Que o Bolsonaro adora enfiar supervilões nas suas histórias, todo mundo sabe: Lula é o Coringa dele. A Imprensa talvez seja o Thanos. Mas ao escalar Leonardo DiCaprio na manhã de hoje para a sua série infame, vamos ter que concordar: o Capitão deu um belo upgrade no elenco.

O problema na história é o enredo: que interesse teria o astro, reconhecido pelo seu engajamento em causas ambientais, em destruir um patrimônio da humanidade? Ainda que o dinheiro esteja sendo mal empregado: se você doa dinheiro para ajudar um asilo de velhinhos, e o responsável pelo asilo desvia a grana, que culpa você tem?

A insistência de Bolsonaro em jogar dinheiro fora quando se trata da Amazônia nos permite criar nossos próprios roteiros. Abrir mão do fundo internacional por causa de sua política externa olavista e paranoica faz sentido. Estender essa paranoia às ONGs que atuam na região também. Mas criminalizar até um ator milionário que teve a clara intenção de ajudar soa muito estranho.

Alimenta, sim, a fantasia dos que creem que o governo cria inimigos imaginários para permitir que a floresta arda em chamas.