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Nada é mais "anti-Brasil" que a corrupção e a perseguição a cidadãos

Petra Costa, diretora de "Democracia em Vertigem" - Diego Bresani/Divulgação
Petra Costa, diretora de "Democracia em Vertigem" Imagem: Diego Bresani/Divulgação
Maurício Ricardo

Maurício Ricardo é jornalista, cartunista e empresário no segmento da Educação. Formado em História, é um dos produtores pioneiros de conteúdo multimídia para a Internet brasileira. É criador do premiado site de animações Charges.com.br, lançado em fevereiro de 2000. Em 2019 migrou suas análises políticas, no formato vlog, para o canal de YouTube "Fala, M.R.". Lá, compartilha suas visões sobre política, cotidiano, música e tecnologia, que ganham também versões em texto nesta coluna.

Colunista do UOL

04/02/2020 18h02

O jornalista Alexandre Garcia disse num evento com todas as letras: se trocássemos a população do Brasil pela do Japão, todos os nossos problemas estariam resolvidos. Bolsonaro concordou e colocou no seu Twitter oficial. Um dia depois, a Secretaria de Comunicação do governo chamou a cineasta Petra Costa, diretora de "Democracia em Vertigem", de "Anti-Brasil" e fez um post oficial (e constrangedor) atacando uma cidadã brasileira no livre exercício de sua liberdade de expressão.
O que o governo Bolsonaro pensa que é o Brasil? Seu governo (só mais um na história da República) ou o povo, com suas qualidades e imperfeições?
O que Petra Costa está fazendo no exterior é oposição às políticas do atual governo, exageradas ou não. Se cabe a alguém espernear são seus adversários políticos. Não este ente, impessoal e de todos nós, chamado Brasil.
O Brasil não é de esquerda, não é de direita e não é de centro. O Brasil não é ateu, não é católico e não é budista. E principalmente: o Brasil não é o Japão. O Brasil somos todos nós, nossa História e nossa Cultura.

Povo

A mim soa muito mais "anti-Brasil" a propagação da ideia de que o problema do País é o seu povo do que uma cidadã opinando lá fora sobre temas que incomodam o governo. É muito mais "anti-Brasil" um governo ferir o princípio da impessoalidade e encarnar arbitrariamente o espírito da Nação.
Ironia maior, isso só prova que, por mais que possa ter equívocos em seu conteúdo, o título "Democracia em Vertigem" não poderia ser mais acertado quando se tenta entender o Brasil de hoje. Mais ainda agora que a Polícia Federal abriu inquérito contra Fábio Wajngarten, justamente o chefe da Secom, por suspeita de corrupção e peculato.
Oposição é parte da Democracia. Mas corrupção... ah, isso é muito anti-brasil.
Veja meu vídeo: