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Mauricio Stycer

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

"The Masked Singer" foi o formato mais vendido no mundo em 2021

A apresentadora Ivete Sangalo e o ator David Junior, vencedor da segunda temporada do "The Masked Singer Brasil" - Reprodução - TV Globo
A apresentadora Ivete Sangalo e o ator David Junior, vencedor da segunda temporada do "The Masked Singer Brasil" Imagem: Reprodução - TV Globo
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Mauricio Stycer

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o "Lance!" e a "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Adeus, Controle Remoto" (editora Arquipélago, 2016), "História do Lance! ? Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo? (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011). Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Colunista do UOL

28/04/2022 07h01

Esta é parte da versão online da edição desta quarta-feira (27/04) da newsletter de Mauricio Stycer. Para assinar o boletim e ter acesso ao conteúdo completo, clique aqui.

Levantamento de uma consultoria internacional indica que o programa "The Masked Singer" foi o formato mais comercializado no mundo em 2021, com 12 novas versões, incluindo a brasileira, feita pela Globo.

É o terceiro ano seguido que o "The Masked Singer" lidera este mercado, segundo o relatório da K7 Media sobre os 100 principais formatos de TV comercializados no planeta. O segundo formato mais vendido em 2021 foi "Quem Quer Ser um Milionário" (nove mercados), seguido por "Game of Talents", um programa espanhol (negociado em sete mercados).

A facilidade de produzir formatos já testados em outros países inibe o desenvolvimento de atrações originais e está deixando a televisão cada vez mais parecida no mundo todo.

Lançado originalmente na Coreia do Sul, em 2015, pela Mun Hwa Broadcasting Corp., "The Masked Singer" chegou a ser alvo de interesse do SBT em 2020, mas foi adquirido pela Globo, que o realiza em coprodução com a Endemol Shine Brasil. A primeira temporada estreou em agosto de 2021 e a segunda, lançada em janeiro de 2022, terminou neste domingo.

Em outubro, na semana do Dia das Crianças, a Globo vai exibir um especial do "The Masked Singer". Apresentado por Ivete Sangalo, vai reunir alguns dos 28 participantes das duas primeiras temporadas, que vão cantar e falar da experiência de ter participado da atração.

Segundo os dados da K7 Media, "The Masked Singer" hoje conta com 41 versões em exibição. "The Voice" e "Quem Quer ser um Milionário", com 38 e 35 versões, respectivamente, são os outros formatos mais populares atualmente no mercado.

A pesquisa indica, porém, que as vendas do formato coreano estão em queda - em 2020, ele foi comercializado em 23 mercados, contra 12 em 2021. Em breve, seguindo a lógica que move a televisão, um novo formato estará sendo reproduzido por televisões de meio mundo.

A sedução dos formatos e o papel menor dos apresentadores

A rotineira adaptação de formatos estrangeiros pelas principais emissoras nacionais mostra, por um lado, comodismo e falta de disposição para investir na criação de programas originais. Não chega a haver uma "ditadura dos formatos", como já se disse, já que ninguém é obrigado a comprar e adaptar formatos prontos.

Mas não é apenas comodismo. Comprar um formato já testado em outros países pode ser um negócio muito menos arriscado e mais rentável do que gastar tempo e dinheiro criando um formato próprio.

Em sua passagem pela Record, Gugu Liberato (1959-2019) trocou a apresentação de programas próprios pelo comando de dois formatos, "Power Couple" e "Canta Comigo". Refletindo sobre a experiência, numa entrevista que fiz com ele, em abril de 2019, Gugu disse bem:

"Estamos na onda dos formatos e não sei até quando isso vai durar. Alguns desses formatos já vêm até com faturamento garantido de multinacionais. Isso torna-se muito mais interessante para as emissoras: investirem em algo cujo retorno financeiro é praticamente garantido".

O problema do formato pronto é que ele esvazia o que há de mais pessoal em cada apresentador. É muito difícil deixar uma marca maior em um programa deste tipo, como sentiu Xuxa, por exemplo, comandando "Dancing Brasil", ou mesmo Ivete Sangalo, no "The Masked Singer". Seguindo uma "bíblia" com as regras do formato, o comandante do programa acaba sem muitas chances de brilhar. Isso é visível, também, nos muitos "The Voice", da Globo, e tantas outras atrações importadas e adaptadas pela televisão brasileira.

AVISO: Esta newsletter não circulará no mês de maio e estará de volta em junho.

Pra lembrar

Gaslit  - Divulgação/Starz - Divulgação/Starz
Sean Penn e Julia Roberts na minissérie Gaslit
Imagem: Divulgação/Starz

Lançado em 2018, o Starzplay é uma plataforma de streaming americana de tamanho médio. Alcançou alguma visibilidade no Brasil ao exibir a elogiada série "Normal People", em 2020. Agora em abril, com grande pompa, está promovendo o lançamento de "Gaslit", um thriller político estrelado por Julia Roberts. A plataforma enfrenta um problema ingrato: o seu nome é muito parecido com o de um serviço da Disney, o Star +. Só quando vi notícias sobre a estreia de "Gaslit" me dei conta de que são duas plataformas diferentes. E, ao comentar o assunto no Twitter, pude observar que muitos outros usuários fazem a mesma confusão. Em agosto do ano passado, a Disney concordou em pagar R$ 50 milhões para a Starz por possíveis danos causados pela semelhança dos nomes no mercado brasileiro.

Pra esquecer

CNN - Reprodução - Reprodução
A plataforma de streaming da CNN foi fechada menos de um mês após estreia
Imagem: Reprodução

A CNN americana decidiu encerrar seu novo serviço de streaming apenas três semanas depois de lançá-lo com ampla divulgação. Os altos custos envolvidos no projeto levaram à decisão tomada pela nova equipe que assumiu o comando do canal de notícias após a fusão da WarnerMedia com a Discovery. "Embora a decisão de hoje seja extremamente difícil, é a certa para o sucesso de longo prazo da CNN", escreveu Chris Licht, novo presidente do canal. O lançamento do serviço ocorreu quando já se sabia que a direção da empresa iria mudar, o que reforça a ideia de que houve precipitação. Na avaliação de muitos analistas, o novo conglomerado de mídia entende que é melhor concentrar diferentes conteúdos, incluindo notícias, em algumas poucas plataformas de streaming. Um projeto semelhante, anunciado pela CNN brasileira em outubro de 2020, nunca saiu do papel.

A frase

Netflix - Divulgação - Divulgação
Reed Hastings, CEO da Netflix
Imagem: Divulgação

"Está bem claro que está funcionando para o Hulu, a Disney está fazendo isso, a HBO fez isso. Não temos dúvidas de que funciona"
Reed Hastings, CEO da Netflix, ao admitir pela primeira vez a intenção de lançar um plano de assinatura mais barato, incluindo anúncios comerciais

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