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Reinaldo Azevedo

Boulos cresce 5 pontos, e Bruno para; diferença cai 6 nos válidos: 55 a 45

Datafolha/Folha
Imagem: Datafolha/Folha
Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo, que publicou aqui o primeiro post no dia 24 de junho de 2006, é colunista da Folha e âncora do programa "O É da Coisa", na BandNews FM. No UOL, Reinaldo trata principalmente de política; envereda, quando necessário - e frequentemente é necessário -, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

Colunista do UOL

24/11/2020 05h46

Em cinco dias, caiu sensivelmente a diferença, nos votos válidos, entre o tucano Bruno Covas e Guilherme Boulos (PSOL) na disputa pela Prefeitura de São Paulo. No levantamento realizado nesta segunda pelo Datafolha, Boulos aparece com 45% dos votos válidos — antes, tinha 42%. Covas marca agora 55%, contra 58% na semana passada. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos. Assim, ambos se moveram dentro dessa margem, mas é muito pouco provável que o candidato do PSOL não tenha ganhado votos nesse período. A diferença, que era de 16 pontos, caiu para 10.

E por que se pode afirmar que é praticamente certo que Boulos tenha realmente encurtado a distância? Quando se olham os números totais, não apenas os válidos, ele ganhou cinco pontos — fora, portanto, da margem de erro: saltou de 35% para 40%. Bruno obteve os mesmos 48%. E isso explica por que caiu a percentagem dos votos válidos do tucano.

Um pedaço do eleitorado se moveu nesta pesquisa na comparação com a anterior. Os que diziam que iriam votar em branco ou anular o voto caíram de 13% para 9% — quatro pontos percentuais. Os que afirmaram não saber oscilaram de 4% para 3%: 1 ponto percentual. Somadas essas diferenças, alcançam-se os cinco pontos que Boulos ganhou nos votos totais.

A disputa está indefinida. Chegam a 12% os dispostos a não votar em ninguém (9%) e os que dizem ainda não saber (3%). Nesse grupo, afirmam ainda não estar certo de sua opção 21%. Entre os eleitores de cada candidato, 14% admitem que podem mudar de voto. Esse grupo, em particular, instabiliza ainda mais a disputa: num enfrentamento de segundo turno, cada voto que muda de lado vale dois na diferença: subtrai de um e soma para o outro.

O eleitorado de Márcio França (PSB), que decidiu ficar neutro na disputa, se dividiu: 45% escolheram o tucano; 41% prefeririam Boulos, e 7% dizem não escolher ninguém. Os que optaram por Celso Russomanno no primeiro turno escolheram majoritariamente Bruno: 72% a 19%. E houve migração em massa do eleitorado do petista Jilmar Tatto para o candidato do PSOL: 79% a 16%.

O que pode explicar a mexida no eleitorado? Há o horário eleitoral. O candidato do PSOL disputa a eleição em companhia de duas microlegendas de esquerda: PCB e UP. É a coligação "Pra Virar o Jogo". Tinha 34 segundos no horário eleitoral, divididos em dois blocos, e duas inserções diárias. A gigante "Todos por São Paulo", de Bruno, reúne 11 legendas, num leque que vai da centro-esquerda à extrema direita: Cidadania, PV, PSDB, MDB, DEM, PP, Podemos, PSC, PL, PTC e Pros. Isso garantiu ao candidato 6 minutos e 58 segundos, em dois blocos, e 25 inserções diárias. Há ainda o enfrentamento direto entre os candidatos nos debates.

Na etapa final, o tempo é dividido igualmente. É possível que Boulos esteja chegando a um público que nem sequer o conhecia. É evidente que, dadas as circunstâncias, ser este o menor intervalo entre o segundo turno e o primeiro acaba beneficiando o atual prefeito, embora a movimentação nas urnas não permita a ninguém cravar com segurança quem estará à frente da maior cidade do país a partir de 1º de janeiro.