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Reinaldo Azevedo

O que foi mesmo que Araújo escreveu sobre o "comunavírus"? Cumpre lembrar

Jair Bolsonaro ao lado de Ernesto Araújo, o teórico da conspiração. Até agora, o chanceler só produziu desastres - Mateus Bonomi/AGIF/Estadão Conteúdo
Jair Bolsonaro ao lado de Ernesto Araújo, o teórico da conspiração. Até agora, o chanceler só produziu desastres Imagem: Mateus Bonomi/AGIF/Estadão Conteúdo
Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo, que publicou aqui o primeiro post no dia 24 de junho de 2006, é colunista da Folha e âncora do programa "O É da Coisa", na BandNews FM. No UOL, Reinaldo trata principalmente de política; envereda, quando necessário - e frequentemente é necessário -, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

Colunista do UOL

26/01/2021 07h14

No Twitter, o presidente Jair Bolsonaro cometeu o despropósito de ser grato ao chanceler Ernesto Araújo porque a China decidiu mandar os insumos — Ingredientes Farmacêuticos Ativos — para o Brasil. A mentira é deslavada.

Araújo é aquele que, em abril do ano passado, fez em seu blog pessoal o seria um alerta sobre o coronavírus, num artigo destrambelhado, como tudo o que sai daquela massa ignota que tem entre as orelhas.

Título do texto: "Chegou o comunavírus", com o seguinte subtítulo: "O Coronavírus nos faz despertar novamente para o pesadelo comunista". Sob o pretexto de comentar o livro "Vírus", do intelectual marxista Slavoj Zizek, afirma o ministro:
"O globalismo substitui o socialismo como estágio preparatório ao comunismo. A pandemia do coronavírus representa, para ele, uma imensa oportunidade de construir uma ordem mundial sem nações e sem liberdade."

Para este gênio da raça, "o jogo comunista-globalista de apropriação da pandemia" tem o objetivo de "subverter completamente a democracia liberal e a economia de mercado, escravizar o ser humano e transformá-lo em um autômato desprovido de dimensão espiritual, facilmente controlável".

No artigo, Araújo ataca as entidades globais que combatem o vírus e vê a solidariedade entre as nações como mais um instrumento da comunização:
"Transferir poderes nacionais à OMS, sob o pretexto (jamais comprovado!) de que um organismo internacional centralizado é mais eficiente para lidar com os problemas do que os países agindo individualmente, é apenas o primeiro passo na construção da solidariedade comunista planetária."

E o doutor vai longe:
"O vírus aparece, de fato, como imensa oportunidade para acelerar o projeto globalista. Este já se vinha executando por meio do climatismo ou alarmismo climático, da ideologia de gênero, do dogmatismo politicamente correto, do imigracionismo, do racialismo ou reorganização da sociedade pelo princípio da raça, do antinacionalismo, do cientificismo. São instrumentos eficientes, mas a pandemia, colocando indivíduos e sociedades diante do pânico da morte iminente, representa a exponencialização de todos eles.

A pretexto da pandemia, o novo comunismo trata de construir um mundo sem nações, sem liberdade, sem espírito, dirigido por uma agência central de "solidariedade" encarregada de vigiar e punir. Um estado de exceção global permanente, transformando o mundo num grande campo de concentração."

Vocês acham mesmo que alguém capaz de escrever essa estultice teria condições intelectuais de levar adiante uma negociação eficaz com a China?

De resto, lembre-se um dado que, de tão óbvio, corre o risco de ser esquecido, O insumo para fabricação da Coronavac só será enviado ao Brasil pelos chineses porque o Instituto Butantan investiu na vacina. Se o entregassem a Pazuello, o que o ministro faria com a substância?