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Reinaldo Azevedo

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Fim do inquérito: Maia é outra vítima do modo lavajatista de arrasar o país

Deputado Rodrigo Maia: depois de muito desgaste provocado pela máquina de moer reputações, chega-se à conclusão de que não há prova - Marcelo Camargo / Agência Brasil
Deputado Rodrigo Maia: depois de muito desgaste provocado pela máquina de moer reputações, chega-se à conclusão de que não há prova Imagem: Marcelo Camargo / Agência Brasil
Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo, que publicou aqui o primeiro post no dia 24 de junho de 2006, é colunista da Folha e âncora do programa "O É da Coisa", na BandNews FM. No UOL, Reinaldo trata principalmente de política; envereda, quando necessário - e frequentemente é necessário -, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

Colunista do UOL

26/02/2021 03h36

Pois é...

A Procuradoria Geral da República pediu ao STF para arquivar o inquérito que investigava se a Odebrecht havia feito repasses irregulares ao deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) e a seu pai, Cesar Maia.

Na Era da Destruição da Política, que preparava o terreno para a ascensão de Bolsonaro, Maia foi um dos acusados pela baciada de delatores da empreiteira. Duvido que tenha havido algo parecido no mundo. Ou que ainda haverá.

Seu nome foi parar na boca do sapo das redes sociais, mas ele sobreviveu politicamente, o que foi bom. Resistiu a dois anos de iniquidades do governo Bolsonaro, mantendo a racionalidade necessária na Câmara.

No pedido que faz agora de arquivamento, afirma a PGR:
"Forçoso reconhecer que a apuração não reuniu até o momento suporte probatório mínimo (justa causa em sentido estrito) que ampare o oferecimento de denúncia. Assim, não havendo lastro probatório mínimo para o oferecimento de denúncia com perspectiva de êxito, justifica-se o arquivamento deste inquérito".

Há um outro inquérito que apura supostas doações irregulares da OAS.

Talvez o país um dia ainda se livre desse flagelo. Delatores caem nas teias da investigação, fazem as acusações e, por um bom tempo, suas palavras viram lei. E os acusados que se virem.

Depois de toda a expiação pública, vem agora uma espécie de "nada consta". Vale dizer: só há a palavra dos delatores, interessados em obter vantagens com a delação. Não há uma miserável prova que evidencie o que disseram.

Tanto melhor, claro!, que seja essa a posição da PGR.

Mas sabemos qual é o custo do modo que as delações assumiram no Brasil.

Foi esse método de combate à corrupção que nos empurrou para a lama em que estamos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL