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Reinaldo Azevedo

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Nos 100 anos da Folha, saúdo a coragem e reivindico mais apartidarismo

Multidão na Praça da Sé em favor das eleições diretas para a Presidência da República no dia 25 de janeiro de 1983. A Folha apoiou a campanha e passou a ser "o jornal das diretas" - Fernando Santos/Follhapress - 25 de janeiro de 1983
Multidão na Praça da Sé em favor das eleições diretas para a Presidência da República no dia 25 de janeiro de 1983. A Folha apoiou a campanha e passou a ser "o jornal das diretas" Imagem: Fernando Santos/Follhapress - 25 de janeiro de 1983
Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo, que publicou aqui o primeiro post no dia 24 de junho de 2006, é colunista da Folha e âncora do programa "O É da Coisa", na BandNews FM. No UOL, Reinaldo trata principalmente de política; envereda, quando necessário - e frequentemente é necessário -, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

Colunista do UOL

26/02/2021 05h48

Jair Bolsonaro tem uma fila imaginária de candidatos ao pelotão de fuzilamento. Ninguém tem o direito de duvidar de que esta Folha está lá na ponta. Faz sentido. Falando dia desses a formandos de uma escola militar, o presidente teve um de seus costumeiros delírios de impotência e deixou claro que não é por sua vontade que vivemos numa democracia.

Sobrava sinceridade onde falecia a decência. Faço uma citação, não um ultraje à sua biografia. Em vídeo de 1999, ele deu sua receita para mudar o Brasil --parte de seu projeto, destaque-se, está em curso com os três decretos inconstitucionais e subversivos sobre armas. Tonitruou então: "Só vai mudar [o país], infelizmente, quando partirmos para uma guerra civil, fazendo um trabalho que o regime militar não fez: matando uns 30 mil, começando com FHC. Não vamos deixar ele pra fora, não".
(...)
E tenho uma reivindicação. Que o jornal se torne ainda mais atento ao direito de defesa --e isso vale para a imprensa como um todo. O jornalismo investigativo não pode servir de correia de transmissão da indústria de vigiar e punir --criada ao arrepio da lei por facções pervertidas do Ministério Público, da PF e do Judiciário--, que chamo de "Papol": Partido da Polícia.

Sob o pretexto de caçar corruptos, essa máquina destrói a política e a Justiça. O Lírico do Fuzilamento é sua herança mais desastrosa. Deu errado, claro!, e a turma anda a sonhar com um novo demiurgo, que é só um ogro argentário com um terno mais bem cortado, mas não muito, e com uma gramática mais bem arranjada, mas não muito.

O apartidarismo tem de incluir o Papol.
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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL