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Reinaldo Azevedo

Na Folha: Se Aras se omitir diante de ameaça golpista, que Senado o rejeite

Augusto Aras durante uma solenidade no Supremo: de um procurador-geral da República se espera algo mais do que a postura de uma esfinge sem segredos, sempre atrelada ao Executivo - Pedro Ladeira/Folhapress
Augusto Aras durante uma solenidade no Supremo: de um procurador-geral da República se espera algo mais do que a postura de uma esfinge sem segredos, sempre atrelada ao Executivo Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress
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Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo, que publicou aqui o primeiro post no dia 24 de junho de 2006, é colunista da Folha e âncora do programa "O É da Coisa", na BandNews FM. No UOL, Reinaldo trata principalmente de política; envereda, quando necessário - e frequentemente é necessário -, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

Colunista do UOL

23/07/2021 07h43

Leia trechos da minha coluna na Folha.
*
Braga Netto, ministro da Defesa, ameaçou as eleições. Se Augusto Aras, procurador-geral da República, não fizer nada, então o Senado tem de fazer alguma coisa com Augusto Aras. Haverá uma votação em breve para decidir a sua recondução ao cargo. Se estiver em silêncio até lá, seu nome tem de ser rejeitado. A revelação ilumina uma ocorrência que vinha sendo mal compreendida: a passagem do comando político do governo para o centrão, com a ida do senador Ciro Nogueira para a Casa Civil. Os desmentidos em curso não mudam o fato. Buscam salvar as aparências, o que serve para manter em estado de latência a tutela que os militares julgam ter sobre a sociedade brasileira. Parte considerável dos fardados não se vê como força regulada pela democracia e pela Constituição. Entende o regime de liberdade como uma concessão das Armas.
(...)
Se as pesquisas apontassem para a vitória de um outro qualquer, a turma de uniforme ou de pijama deixaria Bolsonaro falando sozinho. O que incomoda uma parte da caserna não é o modo de votar, mas o eventual resultado. E então se apela a uma interpretação delinquente do artigo 142 da Constituição, que faria das Forças Armadas uma espécie de Poder Moderador-Interventor.
(...)
Lira e o núcleo duro do PP -- e, pois, do centrão -- prometeram ir com Bolsonaro até o fim, mas sem golpismo. Para tanto, reivindicaram, e levaram, o controle político do governo. Ciro Nogueira, por ora, ajuda a conter a desordem nos quarteis inaugurada em abril de 2018 pelo general Villas Bôas. Em dois tuítes, exigiu que Lula fosse mantido na prisão contra o que dispõe a Constituição. Afinal, sabem como é... Os golpistas têm um padrão moral pelo qual zelar: aquele que vigorou no Ministério da Saúde na era do Grande Morticínio.

E aí, doutor Aras, vai ser o quê?
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