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Reinaldo Azevedo

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Maioria diz não mudar mais de voto; um nº de Moro cresceu: o da rejeição

Reprodução/Genial-Quaest
Imagem: Reprodução/Genial-Quaest
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Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo, que publicou aqui o primeiro post no dia 24 de junho de 2006, é colunista da Folha e âncora do programa "O É da Coisa", na BandNews FM. No UOL, Reinaldo trata principalmente de política; envereda, quando necessário - e frequentemente é necessário -, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

Colunista do UOL

09/02/2022 07h33

Segundo a pesquisa Genial-Quaest, o eleitorado não se mostra muito disposto a mudar de voto. Dizem que sua escolha é definitiva 58% dos entrevistados. Admitem mudar "caso algo aconteça" 40%. Os eleitores de Lula (PT) se mostram os mais convictos: 74% não querem outro nome. Só 25% poderiam considerar outra opção.

Entre os que escolheram Jair Bolsonaro (PL), 65% não aceitam alternativa, mas 35% ainda podem considerar outro nome. Ciro Gomes (PDT) marca 38% de fidelidade, seguido por Sergio Moro (30%), do Podemos, e por João Doria (27%), do PSDB. Nesses três casos, poderiam escolher outro nome, respectivamente, 62%, 70% e 73%. Admita-se: não são números muito convidativos para criar a tal "terceira via". Mas a disputa só ocorre daqui a oito meses.

Os eleitores também foram convidados a dizer quem, por seu gosto, venceria a eleição: 45% respondem "Lula"; 24% dizem "Bolsonaro", e 24%, "nem Lula nem Bolsonaro". Há aqui uma nesga de esperança para o tal terceiro nome? Pode ser. Mas notem que forçoso seria — nesse caso e se fossem esses números estanques — que um só nome juntasse os vários matizes de rejeição a isso que chamam "polarização". Ocorre que não parece possível reunir num mesmo palanque Ciro e Bolsonaro, por exemplo. Tampouco se vislumbra que Doria esteja disposto a desistir.

REJEIÇÃO
A rejeição segue como um fantasma a perseguir os candidatos. Bolsonaro continua na liderança: 66% dizem que o conhecem e que não votam nele. Conhecem e votariam 13%, e outros 18% sabem quem é ele e até poderiam votar.

Sergio Moro, que chegou a se proclamar "o" nome da tal "terceira via", vê a sua rejeição crescer: 62% marcam o "conheço e não voto" — eram 59% em janeiro —, o que o coloca em empate técnico com seu antigo chefe. Apenas 5% conhecem e votam, e só 18%, sabendo quem é, poderiam fazê-lo. A rejeição a Doria também é grande: 61%. Dizem que conhecem e votam ou poderiam votar, respectivamente, 2% e 13%.

A situação de Ciro é melhor, mas nem tanto: conhecem e não votam 54%, e somam 28% os que "conhecem e votam" (4%) ou poderiam votar (24%).

Confortável mesmo é a situação de Lula: chegam a 54% os que conhecem e votam (36%) e a 18% os que, conhecendo, poderiam fazer tal escolha. Afirmam que o conhecem e não votam 43%. Entre todos esses, é o único com um saldo positivo. No caso dos demais candidatos, o que se destaca é o fato de serem muito pouco conhecidos.

ENCERRO
"Isso tudo significa, então, Reinaldo, que a eleição de Lula é certa?" Claro que não! Isso tudo nos diz que ele é o franco favorito e que as circunstâncias concorrem a seu favor. Há uma campanha eleitoral no meio do caminho.

Como está na frente, chegou a hora de o petista e seu partido fazerem de tudo para errar o mínimo possível. Bolsonaro seguirá no erro civilizacional que é seu jeito de se acertar com os seus fanáticos, mas isso tem garantido, até agora aos menos, uma vaga no segundo turno. E cumpre aos que pretendem tirá-lo da etapa final um esforço para começar a acertar. Até agora, acho eu, nem mesmo entenderam a natureza da disputa. A cada vez que falam em "polarização", passam a operar nesse modo erro. Já expliquei aqui e em todo canto os motivos.

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