Toque de recolher em Contagem (MG) termina somente na data prevista por traficantes

Rayder Bragon
Especial para o UOL Notícias
Em Belo Horizonte

Apesar de 14 prisões terem sido efetuadas, somente na manhã desta segunda-feira (12) teve fim o toque de recolher imposto, há mais de uma semana, por traficantes na região do bairro Estrela Dalva, em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte.

A data de reabertura para o comércio havia sido determinada pelo tráfico aos donos dos estabelecimentos comerciais do local. Escolas e o posto de saúde também voltaram a funcionar.

As polícias Civil e Militar haviam feito uma grande operação na última sexta-feira (9), na tentativa de acabar com a situação de anormalidade. No dia, foram presas 13 pessoas suspeitas de ligação com o toque de recolher. Ao todo, até o momento, foram detidas 14 pessoas, mas segundo o major Silvio Leite, subcomandante do 18º Batalhão da Polícia Militar, localizado na região, os líderes do movimento ainda estão foragidos. Há 11 mandados de prisão para serem cumpridos. Ainda de acordo com Leite, o efetivo de policiais militares vai continuar no local por tempo indeterminado.

Um ônibus parcialmente destruído por fogo na madrugada deste domingo, no Bairro Urca, divisa de Belo Horizonte com Contagem, teria sido a mais recente ação dos marginais. A polícia investiga se há relação com o toque de recolher.

“Estamos com uma base comunitária móvel na região. Temos várias viaturas, policiamento ostensivo e a ajuda da cavalaria e de policiais com motos. Vamos ficar até restabelecer a sensação de segurança para as pessoas”, disse.

A situação perdurava desde a madrugada do dia 3, quando dois jovens foram assassinados na região. Em represália, traficantes determinaram que as atividades comerciais ficassem proibidas no local e atearam fogo em um ônibus. Ninguém se feriu nessa ação. Por consequência, houve também a suspensão das aulas e de atendimentos no posto de saúde por causa da insegurança gerada.

Durante a semana passada, a reportagem do UOL Notícias esteve no local e ouviu de um dos moradores, sob condição de anonimato, que as duas mortes teriam sido provocadas por policiais.

A Corregedoria da Polícia Militar instaurou inquérito para apurar o caso. Familiares dos rapazes assassinados cobraram, na última quinta-feira, a solução rápida para o caso. A situação se agravou no local com o passar dos dias, porque muitas pessoas não tinham como fazer compras de suprimento. Um dos moradores disse que somente conseguiu trazer mantimentos por ter carro e ir ao comércio de bairros no entorno. Segundo ele, muitas pessoas estavam evitando transitar no coletivos por medo de serem atacadas.

Questionado sobre a força demonstrada pelos traficantes, o major Silvio Leite procurou minimizar o episódio e frisou que políticas públicas deveriam ser incrementadas na região.

“Espalhar o pânico é muito fácil. Nesse local há uma necessidade de resgatar uma dívida com essa comunidade, ou seja, que sejam melhorados os projetos sociais, que a associação comercial seja de fato engajada em benefício da comunidade. [É preciso que haja] uma associação de moradores atuante. Para isso, vamos conversar com a prefeitura e buscar uma reaproximação do poder público com essa população”, avaliou o major.

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