Após chuva, Fiocruz mapeia áreas do Rio com risco de apresentar casos de leptospirose

Daniel Milazzo
Especial para o UOL Notícias

No Rio de Janeiro

Após as chuvas da semana passada no Estado do Rio de Janeiro, que mataram mais de 250 pessoas, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mapeou as regiões da capital fluminense com maior risco de apresentar casos de leptospirose. Jacarepaguá, Guaratiba, Santa Cruz, Vargem Grande, Tijuca, Vila Isabel, Estácio, Engenho Novo e Engenho de Dentro são as mais propensas.

Até agora, não há notícias de surto da doença. Por enquanto, a Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil (SMSDC) registrou apenas um caso no município. Porém, o tempo de incubação da bactéria causadora da leptospirose é de até duas semanas, deixando as autoridades em alerta.

“Existe preocupação. A doença é um risco ao qual a população está sujeita, mas acredito que não venhamos a ter tanto problema, pois as áreas de água empoçada já estão diminuindo”, comenta o subprefeito da Grande Tijuca, Luiz Gustavo Martins Trotta.

Para Edimar Teixeira, subprefeito da zona oeste, as regiões mais problemáticas são os bairros de Santa Cruz e Campo Grande, as que mais sofreram com alagamentos. Teixeira afirma, no entanto, que equipes da SMSDC estão atuando junto aos mais de 300 desabrigados da região e que os postos de saúde estão preparados para fazer o trabalho de orientação à população, encaminhando os casos mais graves aos hospitais.

Coordenadora de saúde da região de Campo Grande, Paula Travassos assegura que os 301 desabrigados reunidos na localidade foram vacinados contra a gripe H1N1 e alguns contra o tétano. Como não há vacina contra a leptospirose, a coordenadora ressalva que o combate a essa mazela é distinto.

“Não temos nenhuma medida de prevenção. Se a pessoa apresentar os sintomas, aí nós tratamos. Indicamos que vá a um posto de saúde, onde será atendida por um médico infectologista que receitará antibióticos”, explica Paula.

Equipes de saúde mobilizadas
Segundo a assessoria da SMSDC, há uma equipe de médicos atuando em cada abrigo montado para receber os desalojados. Calcula-se que até o momento haja cerca de 6.000 desabrigados no município. No Estado, este número já ultrapassa os 60 mil.

Equipes da Vigilância Sanitária estão atuando nas regiões afetadas pelas chuvas a fim de orientar a população sobre as medidas preventivas. A principal recomendação é evitar o contato com a lama e a água em áreas inundadas após as chuvas. A bactéria causadora da doença (Leptospira SP) pode entrar no corpo do indivíduo através da pele, principalmente se houver arranhões ou feridas.

De acordo com a Vigilância Sanitária, os principais sintomas da leptospirose são: febre alta, dores musculares (principalmente nas pernas e na panturrilha), dor de cabeça, vômitos e icterícia (coloração amarelada nas mucosas e pele).

Os órgãos públicos de saúde também se preocupam com um possível aumento no número de casos de dengue, hepatite e gastroenterite aguda.

Dados da Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil (Sedesc) indicam que até o dia 7 de abril deste ano, 258 casos da doença foram notificados no Estado.

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