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Novo vídeo de atirador foi feito antes de julho do ano passado, diz polícia; back-up de computador será recuperado

Hanrrikson de Andrade <br>Especial para o UOL Notícias <br>No Rio de Janeiro

13/04/2011 19h20

A Polícia Civil do Rio de Janeiro divulgou na noite desta quarta-feira (13) um novo vídeo gravado por Wellington Menezes de Oliveira, autor do massacre no colégio Tasso da Silveira, em Realengo, na semana passada. O arquivo foi recuperado de um disco rígido (HD) encontrado na casa do criminoso, em Sepetiba. O último acesso ao hardware ocorreu antes de julho do ano passado, segundo os investigadores, o que indica que o vídeo foi feito antes dessa data -- mas a polícia ainda não soube precisar ao certo o período.

"Acham que eu sou um idiota"

"Nossa luta é contra cruéis e covardes"

Veja como foi a ação na escola


No vídeo, que tem 58 segundos de duração, Oliveira aparece sentado em uma poltrona localizada num ambiente interno e faz a leitura de uma carta. A polícia ainda não sabe onde o arquivo foi gravado, mas já verificou que o próprio criminoso fez todo o trabalho de filmagem com uma câmera Kodak, sem ajuda de terceiros.

De acordo com o diretor-geral de perícia técnico-científica da Polícia Civil, Sérgio Henriques, todos os arquivos contidos no disco rígido (que tem capacidade de 80 gigabytes) estão sendo recuperados. A tarefa é conhecida como “espelhamento”, na qual os dados são duplicados – uma espécie de “backup”.

Os itens eventualmente apagados pelo criminoso, tais como vídeos, fotos e arquivos de texto, podem ser recuperados por meio de um conjunto de softwares conhecido como “In Case”, que fora importado do FBI.

“Achamos o HD empoeirado em uma prateleira junto com CDs, anotações e outros materiais. O primeiro passo é recuperar os dados que foram deletados”, disse Henriques. Os CDs são programas de computador.

Vídeo fora do inquérito

A Polícia Civil também pretende investigar a origem dos primeiros vídeos feitos pelo criminoso, que foram divulgados nesta terça-feira (12) pelo “Jornal Nacional”, da TV Globo. Segundo Henriques, o arquivo ainda não faz parte do inquérito.

“Esses vídeos serão solicitados e encaminhados posteriormente para perícia”, afirmou. O diretor-geral garantiu que ninguém na Polícia Civil sabe como o arquivo foi enviado para a emissora carioca.

Nas imagens, cujas origens não foram esclarecidas, o atirador, que se suicidou após o massacre de quinta-feira passada, afirmou que morreria em sua própria luta.

"A luta pela qual muitos irmãos no passado morreram, e eu morrerei, não é exclusivamente pelo que é conhecido como bullying. A nossa luta é contra pessoas cruéis, covardes, que se aproveitam da bondade, da inocência, da fraqueza de pessoas incapazes de se defenderem", diz Wellington.

O atirador, de 23 anos, explica que foi à escola em dias anteriores ao tiroteio para não levantar suspeitas no dia do massacre.

"Hoje, é segunda, terça-feira, aliás. Eu fui ontem, segunda. Hoje é terça-feira, dia 5. E essa foi uma tática para não despertar atenção. Apesar de eu ser sozinho, não ter uma família praticamente... eu vivo sozinho, não tenho pessoas a dar satisfação. Mas, como eu precisava ir ao local e interagir com pessoas, para não chamar atenção, eu decidi raspar a barba", acrescenta, em uma declaração confusa.

Entenda o caso

Na quinta-feira da semana passada (7), por volta de 8h30, Wellington Menezes de Oliveira entrou na escola Tasso da Silveira, em Realengo, dizendo que iria apresentar uma palestra. Já na sala de aula, o jovem de 23 anos sacou a arma e começou a ameaçar os estudantes.

Segundo testemunhas, o ex-aluno da escola queria matar apenas as virgens. Wellington deixou uma carta com teor religioso, onde orienta como quer ser enterrado e deixa sua casa para associação de proteção de animais.

O ataque, sem precedentes na história do Brasil, foi interrompido após um sargento da polícia, avisado por um estudante que conseguiu fugir da escola, balear Wellington na perna. De acordo com a polícia, o atirador se suicidou com um tiro na cabeça após ser atingido. Wellington portava duas armas e um cinturão com muita munição.

Doze estudantes morreram --dez meninas e dois meninos-- e outros 12 ficaram feridos no ataque.

Na sexta (8), 11 vítimas foram sepultadas nos cemitérios da Saudade, Murundu e Santa Cruz. Já no sábado pela manhã, o corpo de Ana Carolina Pacheco da Silva, 13, o último a deixar o Instituto Médico Legal (IML), foi cremado no crematório do Carmo, no centro do Rio.

Cotidiano