Abdias do Nascimento, ativista do movimento negro, morre aos 97 anos no Rio de Janeiro

Daniel Milazzo

Especial para o UOL Notícias
No Rio de Janeiro

  • Tuca Vieira / Folhapress

    Abdias do Nascimento, líder do movimento negro no Brasil, morre no Rio de Janeiro aos 97 anos

    Abdias do Nascimento, líder do movimento negro no Brasil, morre no Rio de Janeiro aos 97 anos

Aos 97 anos, faleceu na noite de ontem (23) Abdias do Nascimento, um dos expoentes na luta contra o racismo e pela valorização da cultura afrodescendente no Brasil. Nascimento estava internado desde 15 de abril no Hospital dos Servidores do Estado, no Centro do Rio de Janeiro, devido a complicações cardíacas. Ele sofria de hipertensão e diabetes. De acordo com o hospital, Nascimento faleceu vítima de uma insuficiência cardíaca.

Em nota divulgada na tarde desta terça-feira (24), o governador Sérgio Cabral (PMDB) lamentou o falecimento. Cabral disse que Nascimento foi um “ativista incansável” e destacou sua influência na garantia dos direitos à população negra.

Intelectual, artista, político, escritor, Abdias Nascimento atuou em diversas frentes para defender os direitos humanos e civis dos negros. Ele entrou na política em 1980, quando se juntou ao amigo Leonel Brizola para fundar o Partido Democrático Trabalhista (PDT).

Em 1983, ele ocupou uma cadeira na Câmara Federal representando o estado fluminense e apresentou um projeto de lei que propõe políticas públicas de igualdade racial. Neste mesmo ano, ele propôs que o racismo se tornasse crime de lesa-humanidade.

Em 1991, na gestão do governador Leonel Brizola, Nascimento ocupou a Secretaria Extraordinária para Defesa e Promoção das Populações Afro-Brasileiras (Sedepron, transformada na Seafro). Também foi secretário dos Direitos Humanos e da Cidadania na gestão de Anthony Garotinho como governador do Rio (1999-2002).

No Senado, Nascimento assumiu em 1996 a cadeira do falecido senador Darcy Ribeiro e exerceu o mandato até 1999. O ativista lutou pelo direito dos quilombolas à propriedade das terras onde haviam se instalado e apresentou propostas cujo objetivo era fundamentar o princípio da reparação ao povo negro.

Valorização do negro nas artes

Em 1944, contrariado com o fato de que atores brancos tinham a pele pintada de preto para encarnar personagens negros no teatro, Nascimento resolve fundar o Teatro Experimental do Negro (TEN).

O movimento pretendia valorizar a identidade, enaltecer a cultura, resgatar a herança africana e resgatar a dignidade dos negros no Brasil. Ele dirigiu o Teatro Experimental do Negro até 1968, quando teve de buscar exílio nos Estados Unidos por causa do endurecimento do regime militar.

No ano seguinte ao surgimento do TEN, em 1945, o ativista organizou a Convenção Política do Negro Brasileiro a fim de lutar contra o racismo. Em 1950, ele criou o 1º Congresso do Negro Brasileiro, mais um capítulo na sua trajetória em defesa da dignidade dos afrodescentes.

Dali surgiu a ideia da criação de um Museu de Arte Negra, mas este jamais chegou a possuir uma sede própria.

Abdias Nascimento deixou mais de 20 obras publicadas, entre peças teatrais, ensaios, trabalhos de pesquisa e poesias. Local e horário do enterro do ativista ainda não foram divulgados.

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