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Traficante Nem diz que metade do que faturava com drogas ia para policiais, diz jornal

Do UOL Notícias*<br>Em São Paulo

11/11/2011 12h00

O traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem, preso na madrugada de ontem (10) durante operação policial na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, disse em depoimento na sede da Polícia Federal que metade do que faturava com a venda de drogas era entregue a policiais civis e militares, segundo reportagem do jornal carioca "O Globo". O traficante disse também que a propina tinha como destino final uma série de agentes públicos e que teve lucro zero em determinados períodos por causa da frequência de pagamentos. Segundo estimativas da Polícia Civil, não confirmadas no depoimento, o traficante faturava mais de R$ 100 milhões por ano.

O traficante contou no depoimento que uma parte do seu lucro com a venda de drogas era usado para ajudar moradores da Rocinha, com pagamento de enterros, fornecimento de cestas básicas, compra de remédios e realização de obras. "Quando me pediam, eu comprava tijolos e financiava a construção de casas na comunidade", disse.

Em entrevista à TV Globo, o secretário de segurança, José Mariano Beltrame, disse que gostaria muito que Nem falasse o que sabe, por conhecer "a arquitetura do tráfico de drogas e como são os meandros da corrupção".

Nem, apontado como chefe da quadrilha que controla a venda de drogas na Rocinha, foi preso quando tentava fugir da comunidade no porta-malas de um carro. Quinze pessoas foram detidas durante a operação de cerco montada pela Polícia Militar, em conjunto com a Polícia Federal -- entre elas Nem e dois homens que, segundo a polícia, tinham papéis importantes dentro da quadrilha: Anderson Rosa Mendonça, o Coelho, e Sandro Luis de Paula Amorim, o Peixe. Segundo o chefe de Estado-Maior operacional da Polícia Militar, coronel Alberto Pinheiro Neto, o cerco da Rocinha é o primeiro passo do processo de pacificação da comunidade. O coronel não revelou, no entanto, quando será iniciada a ocupação efetiva da favela.

“Vamos recuperá-la no momento adequado. Haverá retomada desse espaço, promovendo o retorno da lei e da ordem, procurando evitar qualquer dano colateral à população. Vamos distribuir telefones [para que as pessoas façam denúncias]. Como a quadrilha está desarticulada, esse é um momento muito bom para que as pessoas que desejam viver em paz denunciem, que avisem onde estão drogas e armamentos”, afirmou o coronel.

Pinheiro Neto disse que será necessário um efetivo “muito grande” para ocupar a Rocinha, o Vidigal e outras favelas próximas. Entretanto, ele não explicou como a Polícia Militar conseguirá manter o morro ocupado até que sejam formados os policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP).

Nem, que era o traficante mais procurado do Rio de Janeiro, foi capturado na Lagoa, próximo à Rocinha, quando tentava escapar ajudado por três homens, um dos quais tentou se passar por cônsul honorário do Congo, que também foram presos. Segundo o coronel Ribeiro Costa Filho, os detidos tentaram subornar os policiais com ofertas de dinheiro que chegaram a R$ 1 milhão.

O chefe do tráfico da Rocinha chegou à sede da Polícia Federal aparentemente tranquilo e consciente de sua situação. Depois, ligou para sua mãe para comunicar que havia sido preso e pediu que seus filhos não deixassem de ir ao colégio, informou em entrevista coletiva o delegado Victor Poubel.

Há quase uma semana, as autoridades armaram um cerco em torno da Rocinha, a populosa favela com cerca de 70 mil habitantes que está encravada em morros que se situam entre os bairros de classe alta do Leblon, Gávea e São Conrado. Para isso foram mobilizados centenas de policiais de diversos corpos, aos quais nos próximos dias devem se unir tropas das Forças Armadas, que fornecerão também veículos blindados para ocupar a comunidade.

Antes da captura de Nem, que ocorreu durante a madrugada, tinham sido detidos cinco supostos traficantes que fugiam da favela, assim como três policiais e dois ex-policiais que aparentemente trabalhavam como seguranças dos criminosos. Na operação, também foram confiscados três fuzis, 11 pistolas, várias granadas, dinheiro e munição.

Cotidiano