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Em Goiás, homem com fratura no pé espera há quase um mês por cirurgia

Rafhael Borges

Do UOL, em Goiânia

20/01/2012 16h43

O vigilante Antônio Sobrinho Sampaio sofreu um acidente de moto há quase um mês, em Aparecida de Goiânia (região metropolitana de Goiânia), e foi levado para o Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo) com fratura no tornozelo.

Sem médicos ortopedistas no local, o vigilante foi encaminhado para a Central de Regulação em Saúde e, mesmo com o pedido para a realização da cirurgia, não consegue dar andamento ao procedimento.

Sampaio está em casa, com a perna imobilizada, à espera da vaga. Ele conta que o acidente ocorreu quando tentou desviar de um buraco na rua, mas, ao perceber, já estava dentro de outro, se desequilibrou, e a moto que conduzia caiu em cima da perna.

No Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), que recebe pacientes e os encaminha para as vagas existentes em Goiânia, somente nesta sexta-feira (20) cerca de 50 pessoas esperavam na emergência. Mas a direção confirmou que não há vagas nem cirurgiões.

Uma assistente social que estava no Samu e tentava encaminhar quatro pacientes disse ao UOL que desde o primeiro dia do ano não conseguiu vagas para atendimento ortopédico pelo SUS. “Os pacientes estão tendo de se sacrificar e pagar por procedimentos. Os que não podem arcar com os custos de uma cirurgia convivem há dias com as dores”, informou ela.

A assistente confirmou que a situação da saúde em Goiânia é crítica, faltam médicos, leitos, remédios e atendimento. “Vai começar a morrer gente por complicações de várias especialidades, e o caos vai se espalhar por todo o Estado”.

Outro lado

O secretário de Saúde de Aparecida de Goiânia, Paulo Rassi, declaraou que a única alternativa para o vigilante, assim como para outros que eventualmente estejam em situação parecida, é aguardar. “Só em Aparecida são cerca de 200 pacientes na fila de espera, se não for fratura exposta, é muito difícil conseguir a operação.”

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia, a falta de médicos ortopedistas é o principal fator do caos em que se encontra a saúde da capital. Muitos acidentados de todo o Estado vão para a capital, e o município não consegue atender a todos.

“Os médicos não querem atender pelo SUS, e os que estão atendendo não querem receber pacientes”, informou a secretaria.

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