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Menina queimada com soda é retirada da família no Paraná

Emerson Dias

Do UOL, em Londrina

17/08/2012 18h47

O Conselho Tutelar de Paranavaí (494 km de Curitiba) retirou da família a menina queimada com soda cáustica durante briga dos pais. A documentação detalhada do caso, ocorrido na quarta-feira (dia 15), foi encaminhada à Promotoria da Vara da Infância da cidade na tarde desta sexta-feira (dia 17).

O conselheiro tutelar Marcos Antonio de Mattos acompanha o caso e, por telefone, informou que os irmãos da vítima, de dois e sete anos, também foram retirados da família. “Não podemos dizer pra onde encaminhamos porque a prioridade é garantir segurança das crianças. Ouvimos o relato da mãe e encaminhamos o relatório para o Ministério Público”, disse Mattos.

A denúncia chegou ao Conselho Tutelar na manhã de quarta-feira (15), quando a mãe e o padrasto discutiam em casa. A PM (Polícia Militar) foi até o local e confirmou os ferimentos provocados por soda cáustica. O padrasto, acusado inicialmente pela mãe de ter provocado os ferimentos, fugiu no dia do crime e apresentou-se à delegacia na quinta-feira (16), dizendo em depoimento que a esposa  é que teria jogado o líquido na criança durante a briga do casal.

A menina foi encaminhada ao hospital com queimaduras nos braços, peito e abaixo dos olhos, mas não corria risco de morrer.

“Ela segue em tratamento no local onde a levamos. Recebemos denúncia de que outras agressões teriam ocorrido em anos anteriores na família, mas não temos provas. O caso está na delegacia”, afirmou o conselheiro Mattos.

O caso será analisado pela promotora da Infância e Adolescência de Paranavaí, Márcia Felizardo Rocha de Pauli.

A mãe e o padrasto foram liberados pela polícia, mas serão investigados durante inquérito.

Em entrevista à Rádio Cultura de Paranavaí, o delegado-chefe Osmir Ferreira Neves Junior disse que também foram encontradas lesões no corpo do padrasto, que é auxiliar de serviços gerais.

“Temos que aguardar o exame pericial das lesões dele e ver se elas foram causadas pelo mesmo líquido. Vamos ver se houve crime [por parte do padrasto] ou denúncia caluniosa contra ele”, informou o delegado.

A pena por maus tratos contra crianças e adolescente pode variar de dois meses a um ano de prisão. Em caso de lesão corporal grave, como o ocorrido no Paraná, a pena pode chegar a quatro anos de prisão.